Um poema


É difícil escrever

Quando a folha está amassada

A vista embaçada

A fé está abalada

As pernas estão

A certeza quer titubear

O “espera sempre alcança”

Não está alcançando 

O “ve-Lo chegar”
Esta é a grande guerra

Eis a batalha travada:

A Tua promessa diz tudo

E meus olhos não vêem nada

A fé provém da paciencia

Duma alma forjada à fogo?

A fé vem da Tua palavra

Esperança de um renovo
Tudo tão turvo

Mal posso ver

Meu espírito quer desfalecer

Não me deixe voltar atrás

Não deixe minha fé morrer
Porque a Tua promessa é verdade

E todo o resto é mentira

Me ajude a firmar nessa Rocha

Mata minha sede com a Água da Vida

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Evangelho com “$”


Esse cristianismo onde você precisa pagar 150 reais para entrar na sua própria igreja para ouvir a palestra “casamenteira” do pastor da moda, ou o show do artista gospel do mainstream; esse evangelho que exige que você compre a “Bíblia de Estudos dos Paranauê Teológico” que custa 199,90; essa vida cristã que exige que você vá a Israel para ter uma experiência  espiritual autêntica; esse evangelho que exige que você de oferta, dízimo e carnê para ter prosperidade; esse evangelho que diz crente não pode ter doença, não pode ser pobre, não pode ficar desempregado; esse evangelho que diz que você tem que exigir de Deus a sua casa, a sua empresa, que diz que se você ainda anda de ônibus é porque tem algo errado na sua vida – ou o diabo está tendo legalidade sobre você…
Bem, sobre esse evangelho, tudo o que tenho a dizer é que este não é o evangelho de Cristo. Este é o evangelho do capitalismo.
Se você não tem casa, não tem carro, tem vários boletos a pagar; se cobradores te ligam todos os dias e você já nem sabe mais o que dizer; se você está na fila dos desempregados, na fila do INSS, na fila do ônibus, na fila do Bom Prato, na fila do transplante… Fique em paz, não há nada de errado com a sua fé, e a sua vida não está possuída pelo diabo, não.
Lembre-se de Jesus Cristo, que não tinha onde encostar a sua cabeça durante a noite.
Segundo as regras do evangelho de hoje, Jesus teria ido para a cruz porque a sua fé não alcançou a prosperidade, e então ele não conseguiu viver os “sonhos de Deus”. Segundo as regras do evangelho de hoje, Jesus nem mesmo evangélico seria.
Então vamos todos nos juntar a Jesus. Vamos deixar de ser evangélicos do evangelho de mentira, e vamos pedir que Cristo nos converta ao Evangelho da verdade.

“O livro do homem sem Deus” ou “O Game of Thrones da vida real”


O Senhor lhes dava um líder e o ajudava. Enquanto esse líder vivia, o Senhor salvava o povo dos seus inimigos. Ele tinha pena dos israelitas porque eles sofriam na escravidão. Mas, quando o líder morria, eles voltavam a viver como antes e se tornavam ainda piores do que os seus pais. Iam atrás de outros deuses, e os serviam, e adoravam. Teimavam em continuar nos seus maus caminhos.

Juízes 2:18‭-‬19 NTLH

Estou aqui, me aventurando pela leitura do livro de Juízes e percebendo que este poderia se chamar “As Crônicas de um mundo sem Deus”. Não porque Deus se retirou da historia, mas porque este é um livro que mostra a decadência de uma Israel que abandonou seu Deus. De nação temida, liberta do Egito, Israel esqueceu seu Deus e se prostrava diante dos deuses de madeira dos povos que viriam a ser seus opressores. É isso ia se refletindo nas relações sociais daquele povo, cada vez mais decadente.

O livro termina com um impressionante caso de um homem que teve sua mulher estuprada, e em reação, ele mata, esquarteja a mulher e envia seus pedaços a cada tribo de Israel.

Game of Thrones parece conto infantil em vista do que lemos em Juízes.

Aliás, a própria história de Sansão já é absurda. Um homem separado desde o nascimento, levantado por Deus e derrubado pelas suas paixões carnais. A prova de que não adianta “termos o Espírito Santo” se não tivermos obediência.

O bonito, em Juízes, é que mesmo em meio a lama social, espiritual e moral que aquele povo se encontrava, Deus sempre levantava alguém para pregar e liderar o povo, tira-lo das mãos dos seus inimigos e encaminha-los nos caminhos de Deus. Estes eram os juízes, que deram nome ao livro. 

E em Gideão, por exemplo, vemos que Deus não escolheu o mais forte, o mais ágil, e nem mesmo o mais prestigiado. Gideão se autodeclarou “o menor da casa de seu pai”. Mas era esse mesmo Gideão, em sua insignificância, que estava lá, debulhando trigo dentro de um lagar de vinhos, não aceitando o status quo das coisas, dando jeito naquilo que todos diziam que não tinha jeito.

Uma verdadeira atitude de fé.

E é isso que Deus cobra de todos nós. Na verdade, é a única coisa que Deus nos cobra: fé. Ainda que você esteja impossibilitado de fazer qualquer coisa, mas que você possa ter fé. Ainda que você esteja envolto em um mar de lama, mas que tenha fé.

O que vem depois, é obra de Deus. Gideão chamou, e 32 mil homens atenderam o chamado pra guerra. Mas foi com apenas 300 homens  que Israel venceu, para que ficasse claro que era o poder de Deus, e não de homens. 

Pena que a história de Gideão termina tão triste. Ele recolhe os despojos de guerra – jóias e utensílios de ouro – e com suas próprias mãos, constrói um altar para um ídolo. E as mesmas mãos pelas quais Deus salvou Israel, levaram aquele povo de volta a perdição. Triste, né? Tá lá, em Juízes 8.

Era o Game of Thrones da vida real. Era o mundo sem Deus. Não por causa de Deus, mas por causa dos homens, que mesmo usados por Deus, não O tinham em seu coração.

Juízes é um livro onde as histórias sempre tem um final triste. Talvez porque aqueles não eram os finais. Afinal, o plano de Deus não era um “juiz” humano, pecador. Deus sabia que a única forma de redimir aquele povo seria pelas mãos do Redentor.

O Redentor. Esse é o verdadeiro final feliz para nossa história.

No ônibus


Caso 1: Tarde da noite, o ônibus que nos leva do trabalho de volta pra casa finalmente passou. E como sempre, lotou, mas consegui sentar, pelo menos. Ao meu lado, um haitiano. Não conversamos nada, fiquei o tempo todo no celular. Enfim, este não é o foco do texto. O que importa é que quando o ônibus chegou num determinado ponto, o rapaz haitiano desceu. E então pude ouvir o diálogo entre dois homens que estavam em pé naquele ônibus, próximo ao nosso banco.

“Senta aí” – disse um, apontando para o lugar onde haitiano estava sentado, ao meu lado.

“Não…  Não quero não. Senta você.”

“Eu não. Senta você. Eu estou cansado. Trabalho o dia todo sentado. Pode sentar.”

“Não… Não quero não…”

E a lenga-lenga persistiu por mais um tempo. Eu, no meu celular, nem percebi quando a conversa terminou. Mas fiquei pasmo com o que vi minutos depois: os dois homens sentados num par de bancos um pouco a frente do meu.

Ué? Eles não estavam cansados de ficar sentados o dia todo? Ou é justamente aquilo que eu estou pensando?

Caso 2: Eu e minha esposa, voltando da faculdade, esperando o ônibus. De repente chega um cadeirante no ponto. Não sei se acontece com você, mas sempre que vejo um, me vem a cabeça o quanto essas pessoas sofrem em nossas cidades com acessibilidade mínima. Que bom que, pelo menos por aqui, na zona oeste da Grande SP, quase todos os ônibus já tem elevadores para cadeirantes, mas não são raros os casos em que a aparelhagem não funciona, ou pior: o cadeirante contribuinte tem que encarar a má vontade do funcionário da empresa de ônibus como se estivesse pedindo um favor, e não usufruindo do seu direito. 

Não demorou muito e o ônibus chegou. Uma fila deles, aliás, inclusive o que o cadeirante ia utilizar. O cobrador desce do coletivo para atender o cadeirante, é o motorista, não se sabe porquê, começa a buzinar o ônibus feito louco. 

Mas, pera: Ele está em uma parada, compartilhando o espaço com mais meia dúzia de ônibus. Não precisa buzinar. O ônibus a frente dele, tão logo pegue os passageiros, vai dar partida e ir embora, não é?

Bem, o ônibus logo atrás, lá no fim da fila, era o nosso. Eu e minha esposa subimos, e comentei com ela se o motivo do nervosismo repentino do motorista era aquele mesmo que a gente está pensando…

A gente crítica governo, crítica política, crítica político. A gente se diz religioso, se diz cristão. A gente se diz educado, cidadão, civilizado. Mas cenas como as descritas acima acontecem todos os dias. E talvez nós mesmos já tenhamos participado, seja como vítimas ou culpados disso tudo.

Parece que a gente esquece que qualquer dia desses (Deus nos livre!) um desses ônibus pode passar em cima de nossas pernas, e seremos nós os cadeirantes dá vez.

E nos carregamos, orgulhosos, a fama de pais acolhedor. Mas amamos acolher turista americano e europeu, que na verdade não precisa ser acolhido. Enquanto o pobre coitado, que vem refugiado da guerra ou de um desastre natural é tratado como lixo, como terrorista, sob o argumento mesquinho de que “vão roubar nossos empregos”. Odiamos quando somos tratados assim lá nos States, mas fazemos exatamente igual aqui. Dá pra entender?

Até a lei de Moisés, dada por Deus, prévia que deveríamos tratar o estrangeiro com humanidade. 

Trago esses exemplo aqui, num espaço “cristão”, para que os cristãos reflitam: será que nós estamos repetindo gestos assim?  Será que na correria do dia a dia estamos esquecendo de sermos humanos, como Deus nos criou? Será que estamos esquecendo de praticar o amor de Cristo? Porque seria crente na igreja, sem os confrontamentos da vida é muito fácil. Mas é nessas horas, no meio da rua, é que damos o nosso testemunho.

Obvio que ninguém aqui é santo. Muito menos o que vos escreve. Mas da mesma forma que isso me serviu de alerta, eu espero que te sirva também.

Sobre o medo


A gente vive com medo do que vai acontecer: medo de faltar o arroz, o feijão, medo de faltar o dinheiro dos boletos, medo do que vai acontecer se faltar o dinheiro dos boletos. Medo do TCC e das matérias da faculdade, medo de não entrar na faculdade. Medo de sair na rua, de ser assaltado, medo de não ser compreendido pela família. Medo de dirigir, medo de voar, medo de sonhar, medo de engravidar, medo de não engravidar.
Medo de viver. Medo de morrer. Medo de morrer e não ir pro céu. 
Mesmo vivendo com Cristo, e crendo em tudo o que Ele disse e fez, muitos entre nós ainda não conseguem afirmar com toda a certeza se vão ser salvos. Como assim?
Talvez porque a maior parte daquilo que ouvimos hoje como pregação do evangelho ainda é algo do tipo “seja bonzinho e vá para o céu, seja mauzinho e vá para o inferno”. É tipo a história do menino que precisa ser bom o ano inteiro para receber a visita do papai Noel no natal.
Mas Jesus Cristo não é papai Noel.
Nada do que recebemos dele depende do que fazemos ou de quem somos. O que acontece é justamente o contrário: o que fazemos e somos depende daquilo que Ele fez e faz por nós. Em outras palavras: não recebemos a visita dele porque somos bonzinhos, mas nós tornarmos cada vez “menos pior” a cada visita Dele que recebemos. Se você vai pro céu, é muito mais por causa do que Ele é, e não por causa do que você é.
Afinal, quem era Zaqueu? Um cobrador de impostos corrupto. Quem era aquele homem pendurado na cruz com Cristo? Um bandido. Quem era a mulher que quase foi apredejada? Uma prostituta.
Tá vendo? Ninguém era bom. Ninguém era digno. Ninguém era santo. Mas todos eles receberam uma mão de misericórdia, mesmo sem mérito algum.
Não temos santidade e nem dinheiro para os boletos, e também não temos garantias quanto a faculdade e não sabemos o que será dos filhos que colocaremos no mundo. Temos medos, mágoas, rancores, desejos maus… Mas dou gloria a Deus toda vez que me lembro que nenhuma benção vem de mim. Todas as bençãos vem Dele.
Glória a Deus!

Buteco


Hoje, sábado pela manhã. Acabei de entrar no ônibus, rumo a faculdade. Tirando o cobrador, o motorista, um idoso e eu, claro, só tem mulheres aqui. Dez, no total. (Enquanto escrevo este post já entraram mais alguns homens… Dois ou três). Eu sei que esta minha dedução está totalmente fora das leis da Estatística (que será minha disciplina no terceiro semestre), mas parece que só tem mulheres indo trabalhar nesta manhã fria de sábado?
Onde estão os homens?
Bem… Lembro que quando estava no ponto, esperando por este ônibus, vi no buteco SETE homens. Isso mesmo: SETE. E são só sete e meia da manhã.
Obvio que não vamos generalizar, mas acho que todos hão de concordar que no fim de tudo, olharemos para esta nossa geração e veremos quão triste ela foi. Ela cresceu sem homens.

Onde estão os poetas cristãos?


Escreve-se sobre o amor
Escreve-se sobre a dor
Sobre a desilusão do viver
Até sobre a vontade de morrer

Tudo lícito:
Seres humanos e seus sentimentos
Felicidades e lamentos

Mas quem escreve sobre Deus?
Quem escreve sobre a Salvação?
A Esperança? A luz no fim do túnel?

Poetas cristãos: uni-vos!
Vamos fazer da nossa poesia, profecia
Assim como faziam Oséias, Davi, Jeremias
Meia dúzia de palavras bastam
E a escuridão nos corações
Se tornam luz

Se uma alma, apenas
For tocada através do nosso tratado
Teremos coberto uma multidão de pecados

Exatamente. Estou a procura de poetas cristãos no Wattpad, para lançarmos juntos uma antologia de poemas cristãos. Se você é um desses e se interessa, me procure no meu perfil, ou entre em contato pelo e-mail obrunoanastacio@gmail.com.