Sobre Palavrantiga, amor e as linhas tortas pelas quais Deus escreve


PALAVRANTIGA, uma banda que eu gosto muito! Eles cantam músicas cristãs, muito bem construídas. Aprecio. Tô aqui no ônibus, ouvindo um álbum deles no fone de ouvido.

Mas basta eu clicar o play pra lembrar de algo: faz alguns anos que a banda havia encerrado suas atividades, em seu auge, de maneira muito estranha. Os admiradores do seu trabalho aguardando por um possível retorno, que de fato foi anunciado pelo seu vocalista, Marcos Almeida, há algumas semanas.

E só então pudemos entender os porquês do hiato do Palavrantiga.

No dia seguinte, o baterista se pronunciou, na página oficial da banda, denunciando as más atitudes do Marcos, inclusive em anunciar o retorno da banda e uma turnê inteira, sem consultar os demais integrantes, inclusive ele, o baterista, que abandonou a banda. Só então pudemos entender que foram as desavenças entre os membros que encerrou o canto do Palavrantiga.

Que coisa! Parece que a gente está sempre procurando o cristão perfeito. E sempre se decepcionando ao não o encontrar. Talvez porque ele não exista, não é? Perfeito é só Jesus mesmo.

Agora me encontro aqui, ouvindo essas belas músicas de uma banda que não tinha um ambiente tão belo assim. Fico pensando se havia verdade nas suas letras. Tá certo, que é difícil encontrar uma banda onde não haja brigas, né? (Só o Roupa Nova… Eles não brigam nunca!😊). Aliás, é difícil encontrar um grupo onde não exista desentendimentos: seja família, grupo de faculdade, banda ou… Os apóstolos!

Que já leu Gálatas ficou sabendo da treta entre os apóstolos Pedro e Paulo…

Então lembro das palavras de um outro artista cristão que aprecio, Leonardo Gonçalves, algo como: “Se vocês soubessem meus pecados, vocês não estariam aqui sentados, me assistindo. Se vocês soubessem dos pecados do irmão que senta ao seu lado, você se levantaria”.

A exposição dos pecados do Palavrantiga me faz pensar se devo continuar os ouvindo. A exposição dos pecados do homem que sobe ao púlpito da sua congregação te faz querer abandonar a graça de Deus. Se vocês soubessem dos meus pecados, descurtiriam o Eita Mocidade agora mesmo. E se eu soubesse dos seus pecados, os bloquearia, um a um. Exceto a minha esposa: eu sei dos seus pecados, e não a bloqueei da página. Ela também sabe dos meus pecados, e continua me seguindo. Por que?

Amor.

Afinal, Cristo conhece todos os nossos pecados e nunca nos abandonou. Bem que Pedro disse que “o amor cobre uma multidão de pecados” (1 Pe 4:9). Isso explica sua união com Paulo, mesmo em meio as desavenças. E, da mesma forma, lembro de uma das músicas do Palavrantiga, que canta que “o amor nos faz um”.

Então entendo que há verdade nas músicas dos caras, e no amor que Jesus pregava. E entendo também uma frase de outro artista cristão que admiro, o rapper americano Propaganda: “God uses crooked sticks to make straight lines”. Um ditado americano que equivale ao nosso “Deus escreve certo por linhas tortas”.

Nós somos as linhas tortas pelas quais Deus escreve certo.

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“Nós contra eles”: Quando Moisés matou um cara


E Moisés, gente? Era de direita ou de esquerda? O homem por quem veio a Lei de Deus, um dia também se revoltou contra a classe opressora, e pegou em armas, e derramou sangue.

Eu sei: perguntas assim são exageradas. Vamos politizar até a Bíblia, agora?

Na verdade, perguntas assim são provocativas. E quero provocar vocês a refletir: não importa a qual “lado” Moisés pertencia. O que importa é que ele perdeu a razão.

Quando lemos, em Êxodo 2, que ele matou um egípcio para vingar um irmão hebreu, já não importa mais se as motivações estavam certas ou erradas. Moisés já havia perdido a razão.

O Deus do “não matarás” jamais aprovaria que Moisés utilizasse tal recurso.

O que eu quero dizer é que mesmo com as motivações certas, você pode agir errado, e perder a sua razão. Você acha que a classe opressora usa o capital para escravizar a classe oprimida? Não dá pra dizer que você está errado. Basta olhar para os acordos sujos entre grandes empresários e partidos políticos que são trazidos à tona quase que diariamente. Você acha que o modelo de família proposto por Deus está sendo atacado? Também não dá pra tirar sua razão. Basta assistir um capítulo da novela que a Globo produz para os seus filhos adolescentes.

Mas a questão é quando você perde a razão…

Havia algo de errado acontecendo no Egito? Certamente. Mas o plano de Deus não era levantar Moisés como um guerrilheiro revoltado contra o sistema. Era o próprio Deus quem faria a obra de redenção daquele povo, o que simbolizaria uma Redenção infinitamente maior.

Deus não quer que você pegue em armas. Nem mesmo as ideologicas.

Nos tempos de confusão que vivemos, não vamos fazer como o jovem Moisés, que batalhou da maneira errada, pecando diante de Deus. Vamos fazer como o Moisés mais experiente, que liderou o seu povo a um relacionamento de temor e obediência à Deus, e principalmente, um relacionamento de fé e dependência.

Talvez o seu (e o meu) desespero com a situação política e ideológica do país e do mundo seja apenas um retrato da nossa falta de fé. Talvez esteja faltando em nós aquela fé no Deus que opera sobre todo o caos, o Deus que não é nem de direita e nem de esquerda, é que é maior que qualquer ideologia.

Larguemos nossas armas, irmãos. As armas do cristão estão lá em Efésios, capítulo 6, verso 10 em diante.

“Nós contra Eles”: O Éden


A história do “nós contra eles” não é um fenômeno recente. Desde a criação do mundo coisas dão errado, e procuramos culpados. O barco está afundando, e nós, egoístas, estamos atrás do culpado, e não da solução.

Deus ordenou o casal: “não coma da fruta!”, e ambos comeram. Não importa quem comeu primeiro. Ambos desobedeceram. Mas na hora do aperto, a mais comum das facetas humanas se revelou em Adão: “A culpa é dela!”

A culpa é dela, não minha. Até meu erro é consequência do erro dela. Ela é o lado fraco. Será que Adão achou que aquela desculpa o livraria da condenação? Será que ele achou que só Eva sofreria as sanções?

O “nós contra eles” é mais antigo do que se imagina… Até no Éden se manifestou a desculpa. Esfarrapada.

Quem é o culpado das nossas mazelas? Nós ou eles? Os de direita ou os que esquerda? Os incrédulos ou os crentes? O estrangeiro? O gay?

Certamente são eles. Mas “eles” quem? Será que existe mesmo “eles”? Ou será que eles também não fazem parte de nós? Ou nós, deles?

“Ah, mas eu sou crente! Fiel a Deus! Obediente! Herdarei a coroa dá vida eterna, se for firme e fiel…”

Mas se essa sua condição não serve para testemunhar a verdadeira graça ౼ a saber, Jesus ౼, se não serve para redimir, para mostrar o caminho da redenção, pelo contrário: só serve para apontar, acusar e mostrar ao mundo “quão mais santo que eles você é”, então você que me desculpe: você está tão fora da Graça quanto eles.

Talvez todos ainda estejamos.

Talvez as coisas ainda aconteçam como Jesus ditou a João:

“Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu)” Apocalipse 3:17 ARC95

Desgraçados, sem a graça a de Deus. E nus. E talvez tão nus quanto o homem da tal exposição. E ainda acreditando que a nossa fé é uma verdadeira obra de arte.

Tá vendo? Talvez não somos tão diferentes deles. Talvez não existam eles. Talvez sejam eles todos nós.

Defender Deus?


“DEFENDER DEUS É COMO DEFENDER UM LEÃO. ELE NAO PRECISA DA SUA DEFESA, AMIGO. APENAS ABRA A JAULA.”

Ouvi essa frase há algum tempo, e a cada dia faz mais sentido. Deus não precisa de defesa: nem no Congresso, nem nas redes sociais, nem na mídia. Não é um filme, uma lei, uma opinião contrária que fará Deus deixar de ser Deus.

Crentes não tem que pegar em armas (nem mesmo ideológicas). Deus não é a estátua da procissão, que precisa ser carregada com cuidado para chegar sã e salva no santuário.

Quer defender Deus? Defenda com o seu bom testemunho. Que você não seja o motivo para que o nome de Cristo seja blasfemado por aí. Seja justo, bom, honesto, tenha uma vida sossegada. Seja pronto para ouvir e tardio para falar.

Este mundo precisa de sabedoria. Vamos pedir a Deus, e Ele não recusará. (Tiago 1:5)

Sobre “cura gay”, ameaça gay… E sabonetes antibacterias


Cara, imagina que você é o marketeiro de uma fábrica de sabonetes. Não estou falando de uma fábrica fundo de quintal, não. Estou falando de uma multinacional do setor. E você precisa aumentar as vendas do produto do seu cliente. Criar um comercial explicativo ౼ e chato ౼ sobre a importância de lavar as mãos certamente não funcionaria.

Mas, e se você adicionasse uma substância anti-bacteriana na fórmula do produto, e então fizesse uma propaganda com bebês bonitinhos, dizendo que o seu sabonete mata 99% das bactérias e deixará sua família livre da ameaça? Que mãe seria desnaturada a ponto ignorar a chance de proteger sua família, ainda que ela tivesse que pagar o dobro pelo seu “super sabonete”? Que mãe, após ver seu filho doente, não lembraria de comprar o seu “super sabonete” e evitar outro episódio de enfermidade em seus filhos?

Ainda que você não diga a mãe que o sabonete que ela sempre usou mata…. Exatamente os mesmo 99% de bactérias. Pela metade do preço.

Nesses dias, assisti um vídeo muito interessante, que explicava como a mídia, a publicidade (e por que não dizer a política e a religião?) se usa do medo para vender seus produtos.

É simples: você cria ou potencializa uma situação de medo (ainda que seja inverídica), sensibiliza e alarma seu público, e então você apresenta a solução salvadora.

É isso que aquele jornal de fim de tarde faz a respeito da violência. Sim, sabemos que o Brasil é um país violento. Mas basta uma semana assistindo o tal jornal e a sensação que você tem é de que você não conseguirá chegar vivo nem mesmo na padaria da esquina. E você precisa continuar assistindo o jornal para se manter informado e salvar a sua vida, não é? Audiência garantida!

Até hoje me lembro de um cadeirante pedindo esmola no trem, desejando aos que não deram esmola que “Deus nunca os deixasse passar pelo mesmo”… Aquele cara ganhou em dez minutos de esmola o que eu não ganho em uma semana de trabalho…

E é assim que funciona: fale que seu sabonete mata bactérias, fale que a violência vai matar seus filhos, fala que este candidato é comunista, que aquele outro vai trazer de volta a ditadura…

Fale que um juiz de algum estado, que você nem lembra muito bem, aprovou a cura gay. Isso mesmo! A cura gay está aprovada. Ainda que isso não esteja escrito em lugar nenhum, deixe subentendido que agora eles sairão abordando homossexuais nas esquinas e os internando compulsoriamente. Consiga vários cliques no site do seu jornal. E se você é um político, ano que vem tem eleições, e então você se apresenta para toda uma comunidade ౼ que sofre sim com discriminação, mortes e preconceitos ౼ como a solução para preservar o direito a diversidade. E garanta mais quatro anos em sua confortável​ cadeirinha no congresso…

Mas você também pode atingir o outro público. Basta falar que “em alguma cidadezinha, a prefeitura aprovou o kit gay”. Deixe subentendido que agora as escolas ensinarão seus filhos a serem gays. Garanta seus cliques. Apresente-se como o pastor que tem a palavra de Deus, e precisa ser financiado para continuar sua cruzada em favor da família brasileira. E como no ano que vem tem eleições, basta confirmar sua candidatura, os votos estão garantidos.

E assim, através da metodologia do medo, todos nós ౼ gays ou não ౼ nos tornamos massa de manobra nas mãos de gente que nos ganha pelo pavor.

Porque não falar sobre os criminosos que matam não apenas gays, mas negros, estrangeiros, nordestinos? Talvez porque isso não esteja causando tanto apelo?

E será que a igreja precisa mesmo de manter uma bancada no congresso para promover a “cruzada contra gays, e em favor da família”?Homossexualidade é pecado”, eles vão dizer. Mas corrupção também é pecado, aliás um pecado que afeta muito mais a nossa vida diária. E eu não vejo pastores pregando contra isso. Não vejo, no Congresso, uma “Bancada Evangélica contra a corrupção”. Aliás, o que vejo é muitos pastores envolvidos nas denúncias…

O que eu tô querendo dizer é que não importa se você é gay, crente ou um Super Sayadin, tá na hora de sermos um pouco mais inteligentes e nos livrarmos das amarras de quem está promovendo o medo. Devemos tomar cuidado toda vez que alguém quiser nos dividir entre “nós” e “eles”. Se nós fossemos unidos, como cidadãos de uma mesma nação, talvez fossemos fortes o suficiente para exigir nossos direitos, e derrubar quem não cumpre seus deveres, ainda que receba milhares de reais (fora as regalias) só pra fazer isso.

E é disso que eles têm medo.

PS1: Quanto aquilo que está escrito em Romanos 1, 1 Coríntios 6… Ora, todos nós sabemos o que está escrito. Mas os crentes deveriam gralhar menos e ouvir mais, dar o ombro mais, e orar mais. Porque letras todos podem ler, mas só o Espírito Santo pode convencer e converter.

PS2: “Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se, pois a ira do homem não produz a justiça de Deus.” (Tiago 1:19‭-‬20 NVI)

PS3: O vídeo do Canal Nerdologia  que citei:

PS4: Um video game muito caro, moço. Quero não. 🙂

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Sobre Haitianos, Xenofobia e a Pátria que buscamos


xenofobia

E ESSE MONTE DE HAITIANO NO MEU ÔNIBUS PARA O TRABALHO? Falando alto, num idioma desconhecido. Incomoda. Não sei o que eles estão falando. Será que estão me zoando? Minha roupa, meu cabelo?

Eles estão aqui, sentado no meu ônibus, indo para o meu emprego, no meu país. E os caras já estão soltando palavras em português! Mal chegaram…

Fala sério. Não seja hipócrita: não é fácil aturar estrangeiro. Principalmente se não for americano, europeu, civilizado. É bonitinho o jeito que eles falam “esse menina…”

Agora, esse povo que vem roubar meus empregos…

Não é fácil aturar estrangeiro. Não é fácil aturar o gay que trabalha na minha empresa. Nem o meu vizinho católico. Até mesmo o meu parente, crente, mas da outra denominação, tá difícil aturar. Odeio música gospel!

Mas então eu lembro do evangelho. Ele não é sobre coisas que gostamos de fazer, mas sobre coisas que TEMOS que fazer.

Não deve ter sido fácil pra Jesus deixar a santidade dos céus e conviver com essa lá de pecado dessa terra. Não deve ter sido fácil suportar esse monte de religioso hipócrita dizendo que está falando em nome dele, mas só queriam saber de fama e dinheiro.

E Jesus foi visto com a estrangeira, com a adúltera, com o cobrador de impostos​. Realmente, não deve ter sido fácil.

Não adianta. Querer ser cristão sem cultivar a tolerância é como querer comer manga sem sujar as mãos. Não dá.

Assim como Jesus, deveríamos ser o povo que ouve a todos, fala com todos, e mesmo não concordando com ninguém, consegue ser amável como Cristo foi. E pronto a dar a salvação, sem acepção de pessoas.

Sem acepção de pessoas, assim como diz Tiago em sem capítulo 2.

Aliás, se os haitianos me incomodam tanto por estarem na minha terra, devo me lembrar que eles são peregrinos aqui, estão de passagem. Na verdade, eu também deveria me lembrar que sou peregrino aqui.

Se me incomoda tanto ver alguém pisando no solo do meu Brasil, talvez isso signifique que o Brasil é a minha pátria. Já não sou mais peregrino. Já não procuro mais outra pátria. Já estou contente com essa. Talvez seja esse o motivo do sorriso no rosto do haitiano aqui no ônibus: ele está aqui nesta pátria insalubre de passagem. Ele alimenta a esperança de voltar para o seu lugar.

Que possamos todos nutrir a esperança de encontrar o nosso Lugar. Afinal, este Brasil não é a nossa terra prometida.

Qual é a igreja certa?


 

igrejas
Os vizinhos da CCB Cohab 5, em Carapicuiba/SP. Foto de Lucas Pedrosa.

 

Eu não entrei para a onda do ecumenismo, que tenta transformar Jesus em algo tão bonzinho a ponto de negar Sua própria verdade para parecer politicamente correto diante do público. Definitivamente, não é este o Jesus retratado pelos evangelhos. O que vemos é um Jesus que confronta, desafia, argumenta e incomoda. A Verdade que incomoda.

Mas tão nocivo quanto o ecumenismo que tenta amenizar o evangelho para caber nas forminhas alheias é o exclusivismo. É como se tivessemos tentando roubar o santuario, o véu, e o próprio Cristo. É como se Ele, Cristo, se tornasse nossa propiedade. “Cristo só está na nossa igreja!”, “Cristo só está na nossa pregação!”, “Só a nossa igreja salva!”, “Somos a Graça de Deus!”

Parece que Cristo só é o Cristo se estiver do lado de cá do muro. Parece que ele precisa da nossa benção. Da benção da nossa igreja. Parece que a igreja virou intercessora. Só é possível chegar a Cristo se estivermos na igreja certa?

Jesus é o caminho, mas meu é o pedágio? É assim?

Não. Não é. Ou não deveria ser.

Afinal, quão contraditória é a nossa fé, se cremos assim. Afinal, cantamos em quase todos os cultos o hino “Cristo, meu Mestre…” embalados pela doce melodia da Metodista Leyla Naylor Morris. E a melodia de “A paz eu vos deixo”, do presbiteriano Philip Paul Bliss? Quantas vezes foi instrumento do Espírito Santo para acalmar nosso coração atribulado? E o nosso “Forte Rocha”? Que honra! Letra de ninguém menos que Martinho Lutero! E o que dizer do ex-presbiteriano Louis Francescon, nosso fundador? E a nossa Biblia, traduzida pelo ministro da Igreja Reformada Holandesa João Ferreira de Almeida?

Aliás, quão absurdo é, se achamos que o tempo da Graça cessou após os apostolos e só voltou quase 1900 anos depois, com a fundação de uma igreja…

Como disse: o ecumenismo é um mau, mas o exclusivismo não é menos nocivo. É ele quem nos separa, a ponto de causar contendas dentro de familias genuinamente cristãs, que tinham tudo para serem felizes por sua fé; a ponto de separar amigos e criar inimigos por conta de placas de igrejas e suas doutrinas.

E pior ainda é quando procuramos palavras na Bíblia para justificar o injustificável. Qualquer leitor mais atento sabe que quando Jesus se referia a “outros apriscos”, em João 10, Ele falava dos gentios, os não-judeus a quem o Evangelho também seria pregado. Ou seja, nós. Aliás, se a Graça fosse para ser exclusiva, ela seria exclusivamente dos judeus.

Saudar um irmão ná fé, ainda que seja outra a placa de sua igreja não é pecado, não. Pode procurar na Bíblia.

Sim, sabemos também quais são os tempos em que vivemos: de “evangelhos” duvidosos, de igrejas que pregam tudo, menos o evangelho. E não temos que concordar com todos os absurdos que vemos por ai. Mas deixemos os julgamentos a Deus. A nós, Cristo só mandou amar. E não fazer acepção de pessoas, não é?

Oremos uns pelos outros, afinal eles – e nós –  temos muito a aprender.

Aliás, quem são eles? Será que existe mesmo “eles”? Ou será que “eles”, na verdade, somos nós?

Lembre-se de Jesus, e sua resposta aquela mulher samaritana, tão atribulada em saber se a “denominação” certa era a dela ou a dos judeus:

Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.[…] Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.
Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.
João 4:21-24 (fragmentado)