Sobre “cura gay”, ameaça gay… E sabonetes antibacterias


Cara, imagina que você é o marketeiro de uma fábrica de sabonetes. Não estou falando de uma fábrica fundo de quintal, não. Estou falando de uma multinacional do setor. E você precisa aumentar as vendas do produto do seu cliente. Criar um comercial explicativo ౼ e chato ౼ sobre a importância de lavar as mãos certamente não funcionaria.

Mas, e se você adicionasse uma substância anti-bacteriana na fórmula do produto, e então fizesse uma propaganda com bebês bonitinhos, dizendo que o seu sabonete mata 99% das bactérias e deixará sua família livre da ameaça? Que mãe seria desnaturada a ponto ignorar a chance de proteger sua família, ainda que ela tivesse que pagar o dobro pelo seu “super sabonete”? Que mãe, após ver seu filho doente, não lembraria de comprar o seu “super sabonete” e evitar outro episódio de enfermidade em seus filhos?

Ainda que você não diga a mãe que o sabonete que ela sempre usou mata…. Exatamente os mesmo 99% de bactérias. Pela metade do preço.

Nesses dias, assisti um vídeo muito interessante, que explicava como a mídia, a publicidade (e por que não dizer a política e a religião?) se usa do medo para vender seus produtos.

É simples: você cria ou potencializa uma situação de medo (ainda que seja inverídica), sensibiliza e alarma seu público, e então você apresenta a solução salvadora.

É isso que aquele jornal de fim de tarde faz a respeito da violência. Sim, sabemos que o Brasil é um país violento. Mas basta uma semana assistindo o tal jornal e a sensação que você tem é de que você não conseguirá chegar vivo nem mesmo na padaria da esquina. E você precisa continuar assistindo o jornal para se manter informado e salvar a sua vida, não é? Audiência garantida!

Até hoje me lembro de um cadeirante pedindo esmola no trem, desejando aos que não deram esmola que “Deus nunca os deixasse passar pelo mesmo”… Aquele cara ganhou em dez minutos de esmola o que eu não ganho em uma semana de trabalho…

E é assim que funciona: fale que seu sabonete mata bactérias, fale que a violência vai matar seus filhos, fala que este candidato é comunista, que aquele outro vai trazer de volta a ditadura…

Fale que um juiz de algum estado, que você nem lembra muito bem, aprovou a cura gay. Isso mesmo! A cura gay está aprovada. Ainda que isso não esteja escrito em lugar nenhum, deixe subentendido que agora eles sairão abordando homossexuais nas esquinas e os internando compulsoriamente. Consiga vários cliques no site do seu jornal. E se você é um político, ano que vem tem eleições, e então você se apresenta para toda uma comunidade ౼ que sofre sim com discriminação, mortes e preconceitos ౼ como a solução para preservar o direito a diversidade. E garanta mais quatro anos em sua confortável​ cadeirinha no congresso…

Mas você também pode atingir o outro público. Basta falar que “em alguma cidadezinha, a prefeitura aprovou o kit gay”. Deixe subentendido que agora as escolas ensinarão seus filhos a serem gays. Garanta seus cliques. Apresente-se como o pastor que tem a palavra de Deus, e precisa ser financiado para continuar sua cruzada em favor da família brasileira. E como no ano que vem tem eleições, basta confirmar sua candidatura, os votos estão garantidos.

E assim, através da metodologia do medo, todos nós ౼ gays ou não ౼ nos tornamos massa de manobra nas mãos de gente que nos ganha pelo pavor.

Porque não falar sobre os criminosos que matam não apenas gays, mas negros, estrangeiros, nordestinos? Talvez porque isso não esteja causando tanto apelo?

E será que a igreja precisa mesmo de manter uma bancada no congresso para promover a “cruzada contra gays, e em favor da família”?Homossexualidade é pecado”, eles vão dizer. Mas corrupção também é pecado, aliás um pecado que afeta muito mais a nossa vida diária. E eu não vejo pastores pregando contra isso. Não vejo, no Congresso, uma “Bancada Evangélica contra a corrupção”. Aliás, o que vejo é muitos pastores envolvidos nas denúncias…

O que eu tô querendo dizer é que não importa se você é gay, crente ou um Super Sayadin, tá na hora de sermos um pouco mais inteligentes e nos livrarmos das amarras de quem está promovendo o medo. Devemos tomar cuidado toda vez que alguém quiser nos dividir entre “nós” e “eles”. Se nós fossemos unidos, como cidadãos de uma mesma nação, talvez fossemos fortes o suficiente para exigir nossos direitos, e derrubar quem não cumpre seus deveres, ainda que receba milhares de reais (fora as regalias) só pra fazer isso.

E é disso que eles têm medo.

PS1: Quanto aquilo que está escrito em Romanos 1, 1 Coríntios 6… Ora, todos nós sabemos o que está escrito. Mas os crentes deveriam gralhar menos e ouvir mais, dar o ombro mais, e orar mais. Porque letras todos podem ler, mas só o Espírito Santo pode convencer e converter.

PS2: “Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se, pois a ira do homem não produz a justiça de Deus.” (Tiago 1:19‭-‬20 NVI)

PS3: O vídeo do Canal Nerdologia  que citei:

PS4: Um video game muito caro, moço. Quero não. 🙂

Salvar

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Qual é a igreja certa?


 

igrejas
Os vizinhos da CCB Cohab 5, em Carapicuiba/SP. Foto de Lucas Pedrosa.

 

Eu não entrei para a onda do ecumenismo, que tenta transformar Jesus em algo tão bonzinho a ponto de negar Sua própria verdade para parecer politicamente correto diante do público. Definitivamente, não é este o Jesus retratado pelos evangelhos. O que vemos é um Jesus que confronta, desafia, argumenta e incomoda. A Verdade que incomoda.

Mas tão nocivo quanto o ecumenismo que tenta amenizar o evangelho para caber nas forminhas alheias é o exclusivismo. É como se tivessemos tentando roubar o santuario, o véu, e o próprio Cristo. É como se Ele, Cristo, se tornasse nossa propiedade. “Cristo só está na nossa igreja!”, “Cristo só está na nossa pregação!”, “Só a nossa igreja salva!”, “Somos a Graça de Deus!”

Parece que Cristo só é o Cristo se estiver do lado de cá do muro. Parece que ele precisa da nossa benção. Da benção da nossa igreja. Parece que a igreja virou intercessora. Só é possível chegar a Cristo se estivermos na igreja certa?

Jesus é o caminho, mas meu é o pedágio? É assim?

Não. Não é. Ou não deveria ser.

Afinal, quão contraditória é a nossa fé, se cremos assim. Afinal, cantamos em quase todos os cultos o hino “Cristo, meu Mestre…” embalados pela doce melodia da Metodista Leyla Naylor Morris. E a melodia de “A paz eu vos deixo”, do presbiteriano Philip Paul Bliss? Quantas vezes foi instrumento do Espírito Santo para acalmar nosso coração atribulado? E o nosso “Forte Rocha”? Que honra! Letra de ninguém menos que Martinho Lutero! E o que dizer do ex-presbiteriano Louis Francescon, nosso fundador? E a nossa Biblia, traduzida pelo ministro da Igreja Reformada Holandesa João Ferreira de Almeida?

Aliás, quão absurdo é, se achamos que o tempo da Graça cessou após os apostolos e só voltou quase 1900 anos depois, com a fundação de uma igreja…

Como disse: o ecumenismo é um mau, mas o exclusivismo não é menos nocivo. É ele quem nos separa, a ponto de causar contendas dentro de familias genuinamente cristãs, que tinham tudo para serem felizes por sua fé; a ponto de separar amigos e criar inimigos por conta de placas de igrejas e suas doutrinas.

E pior ainda é quando procuramos palavras na Bíblia para justificar o injustificável. Qualquer leitor mais atento sabe que quando Jesus se referia a “outros apriscos”, em João 10, Ele falava dos gentios, os não-judeus a quem o Evangelho também seria pregado. Ou seja, nós. Aliás, se a Graça fosse para ser exclusiva, ela seria exclusivamente dos judeus.

Saudar um irmão ná fé, ainda que seja outra a placa de sua igreja não é pecado, não. Pode procurar na Bíblia.

Sim, sabemos também quais são os tempos em que vivemos: de “evangelhos” duvidosos, de igrejas que pregam tudo, menos o evangelho. E não temos que concordar com todos os absurdos que vemos por ai. Mas deixemos os julgamentos a Deus. A nós, Cristo só mandou amar. E não fazer acepção de pessoas, não é?

Oremos uns pelos outros, afinal eles – e nós –  temos muito a aprender.

Aliás, quem são eles? Será que existe mesmo “eles”? Ou será que “eles”, na verdade, somos nós?

Lembre-se de Jesus, e sua resposta aquela mulher samaritana, tão atribulada em saber se a “denominação” certa era a dela ou a dos judeus:

Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.[…] Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.
Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.
João 4:21-24 (fragmentado)

 

Resposta à uma leitora que me perguntou sobre movimentos de oração que varam a noite e seus “profetas”


Poderia responder de maneira bem simples isso: o que é de Deus não traz confusão. Na Bíblia, não temos nenhum histórico de alguém que recebeu uma mensagem de Deus e ficou confuso. Normalmente é o contrário: a pessoa esta confusa, e então recebe um sinal esclarecedor de Deus.

Então tudo o que vem com “rótulo” de profecia, mas gera mais confusão que solução, devemos tomar cuidado.

A Palavra de Deus é bem clara a respeito da manifestação do dom de línguas e profecia. O que está em 1 Coríntios 14 é pra ser cumprido. Da forma que está lá.

O que há hoje é uma supervalorização do dom de línguas, de modo que quem não o tem é considerado um crente frio, sem espiritualidade, um crente de segunda categoria. Não é o que a palavra diz.

Eu creio em profecia, em Dom de línguas e tudo isso. Afinal, a própria Bíblia nos diz que são dons deixados por Deus. Mas se a profecia (ou o comportamento do “profeta”) contraria a Palavra, será que esse é mesmo um movimento de Deus? Será que o Espírito Santo contraria ౼ ou induz alguém a contrariar a Palavra revelada pelo próprio Espírito Santo?

A gente conhece um falso profeta, ou um falso espírito de profecia por aquilo que Paulo recomendou a Timóteo: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.(2Timóteo 4:3‭-‬4 ARC95)”. Ou seja, gente que diz ter “o dom”, mas não suporta doutrina. E não tenha por “doutrina” não assistir tv ou não usar certa roupa. Quando falo de doutrina, falo daquilo que está escrito na própria Bíblia. Se o profeta é verdadeiro, e se a mensagem é verdadeira, então este profeta deve se comportar, e inclusive profetizar de acordo com as recomendações na Palavra. Profecias verdadeiras não desmentem a Palavra de Deus, e profetas verdadeiros não se comportam diferente daquilo que a própria Bíblia recomenda no que diz respeito ao ato de profetizar.

Vamos pedir discernimento a Deus. Vamos julgar os espíritos. E pedir para o Espírito Santo mostrar o que é verdade e o que é mentira.

“Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda aparência do mal.”
1Tessalonicenses 5:19‭-‬22 ARC95

Evangelho com “$”


Esse cristianismo onde você precisa pagar 150 reais para entrar na sua própria igreja para ouvir a palestra “casamenteira” do pastor da moda, ou o show do artista gospel do mainstream; esse evangelho que exige que você compre a “Bíblia de Estudos dos Paranauê Teológico” que custa 199,90; essa vida cristã que exige que você vá a Israel para ter uma experiência  espiritual autêntica; esse evangelho que exige que você de oferta, dízimo e carnê para ter prosperidade; esse evangelho que diz crente não pode ter doença, não pode ser pobre, não pode ficar desempregado; esse evangelho que diz que você tem que exigir de Deus a sua casa, a sua empresa, que diz que se você ainda anda de ônibus é porque tem algo errado na sua vida – ou o diabo está tendo legalidade sobre você…
Bem, sobre esse evangelho, tudo o que tenho a dizer é que este não é o evangelho de Cristo. Este é o evangelho do capitalismo.
Se você não tem casa, não tem carro, tem vários boletos a pagar; se cobradores te ligam todos os dias e você já nem sabe mais o que dizer; se você está na fila dos desempregados, na fila do INSS, na fila do ônibus, na fila do Bom Prato, na fila do transplante… Fique em paz, não há nada de errado com a sua fé, e a sua vida não está possuída pelo diabo, não.
Lembre-se de Jesus Cristo, que não tinha onde encostar a sua cabeça durante a noite.
Segundo as regras do evangelho de hoje, Jesus teria ido para a cruz porque a sua fé não alcançou a prosperidade, e então ele não conseguiu viver os “sonhos de Deus”. Segundo as regras do evangelho de hoje, Jesus nem mesmo evangélico seria.
Então vamos todos nos juntar a Jesus. Vamos deixar de ser evangélicos do evangelho de mentira, e vamos pedir que Cristo nos converta ao Evangelho da verdade.

No ônibus


Caso 1: Tarde da noite, o ônibus que nos leva do trabalho de volta pra casa finalmente passou. E como sempre, lotou, mas consegui sentar, pelo menos. Ao meu lado, um haitiano. Não conversamos nada, fiquei o tempo todo no celular. Enfim, este não é o foco do texto. O que importa é que quando o ônibus chegou num determinado ponto, o rapaz haitiano desceu. E então pude ouvir o diálogo entre dois homens que estavam em pé naquele ônibus, próximo ao nosso banco.

“Senta aí” – disse um, apontando para o lugar onde haitiano estava sentado, ao meu lado.

“Não…  Não quero não. Senta você.”

“Eu não. Senta você. Eu estou cansado. Trabalho o dia todo sentado. Pode sentar.”

“Não… Não quero não…”

E a lenga-lenga persistiu por mais um tempo. Eu, no meu celular, nem percebi quando a conversa terminou. Mas fiquei pasmo com o que vi minutos depois: os dois homens sentados num par de bancos um pouco a frente do meu.

Ué? Eles não estavam cansados de ficar sentados o dia todo? Ou é justamente aquilo que eu estou pensando?

Caso 2: Eu e minha esposa, voltando da faculdade, esperando o ônibus. De repente chega um cadeirante no ponto. Não sei se acontece com você, mas sempre que vejo um, me vem a cabeça o quanto essas pessoas sofrem em nossas cidades com acessibilidade mínima. Que bom que, pelo menos por aqui, na zona oeste da Grande SP, quase todos os ônibus já tem elevadores para cadeirantes, mas não são raros os casos em que a aparelhagem não funciona, ou pior: o cadeirante contribuinte tem que encarar a má vontade do funcionário da empresa de ônibus como se estivesse pedindo um favor, e não usufruindo do seu direito. 

Não demorou muito e o ônibus chegou. Uma fila deles, aliás, inclusive o que o cadeirante ia utilizar. O cobrador desce do coletivo para atender o cadeirante, é o motorista, não se sabe porquê, começa a buzinar o ônibus feito louco. 

Mas, pera: Ele está em uma parada, compartilhando o espaço com mais meia dúzia de ônibus. Não precisa buzinar. O ônibus a frente dele, tão logo pegue os passageiros, vai dar partida e ir embora, não é?

Bem, o ônibus logo atrás, lá no fim da fila, era o nosso. Eu e minha esposa subimos, e comentei com ela se o motivo do nervosismo repentino do motorista era aquele mesmo que a gente está pensando…

A gente crítica governo, crítica política, crítica político. A gente se diz religioso, se diz cristão. A gente se diz educado, cidadão, civilizado. Mas cenas como as descritas acima acontecem todos os dias. E talvez nós mesmos já tenhamos participado, seja como vítimas ou culpados disso tudo.

Parece que a gente esquece que qualquer dia desses (Deus nos livre!) um desses ônibus pode passar em cima de nossas pernas, e seremos nós os cadeirantes dá vez.

E nos carregamos, orgulhosos, a fama de pais acolhedor. Mas amamos acolher turista americano e europeu, que na verdade não precisa ser acolhido. Enquanto o pobre coitado, que vem refugiado da guerra ou de um desastre natural é tratado como lixo, como terrorista, sob o argumento mesquinho de que “vão roubar nossos empregos”. Odiamos quando somos tratados assim lá nos States, mas fazemos exatamente igual aqui. Dá pra entender?

Até a lei de Moisés, dada por Deus, prévia que deveríamos tratar o estrangeiro com humanidade. 

Trago esses exemplo aqui, num espaço “cristão”, para que os cristãos reflitam: será que nós estamos repetindo gestos assim?  Será que na correria do dia a dia estamos esquecendo de sermos humanos, como Deus nos criou? Será que estamos esquecendo de praticar o amor de Cristo? Porque seria crente na igreja, sem os confrontamentos da vida é muito fácil. Mas é nessas horas, no meio da rua, é que damos o nosso testemunho.

Obvio que ninguém aqui é santo. Muito menos o que vos escreve. Mas da mesma forma que isso me serviu de alerta, eu espero que te sirva também.

Sobre tatuar os pecados das pessoas na testa


Tenho certeza de que a maioria das pessoas que se condoeram com a situação do rapaz não apóiam a bandidagem, e não acham bandido bom (e não vão leva-los pra casa). Essas pessoas apenas estão criticando a resposta exagerada do rapaz tatuador.
Da mesma maneira, estou certo de que aqueles que defendem, em sua maioria, não são pessoas sem coração, e sim gente cansada desse mundo injusto que vivemos, onde parece que sempre o bandido é que se dá bem e a vítima é que se dá mal.
A verdade é que todo esse mar de injustiça está cansando todos nós. Como certamente cansou o tatuador, que em um momento de raiva, tomou uma atitude exagerada. Mas não me atrevo a critica-lo, afinal, com cabeça quente fazemos muitas coisas, não é?
Mas nós aqui, em nossos celulares, nos achando os juízes de tudo e de todos, não estamos com a cabeça quente como o rapaz, é o que se espera de nós é um pouco de equilíbrio e bom senso. E se dizemos acreditar em Deus então, espera-se muito mais bom senso ainda.
Não me envergonho de dizer aos quatro cantos que creio não apenas em Deus, mas creio que Ele enviou um Redentor – seu próprio filho – em favor tanto do bandido como do mocinho. Pois ambos são vítimas do mesmo pecado, que escraviza um para oprimir o outro. Por essas e outras é que não sou a favor de que cabeças sejas marcadas com os pecados das pessoas, porque creio num Cristo que pode apegar toda a escrita de culpa das nossas vidas, se assim cremos.
“Apronta a vida toda e agora vem dar uma de crente, com a Bíblia na mão”. Exatamente! O cristianismo de Cristo (e não os das religiões) é justamente sobre isso: pegar gente do meio do lixo, do meio do inferno, e transformar em gente digna. E cada vez que perdemos a fé nisso, estamos indo cada vez mais pro buraco.
E, para terminar: se virasse lei tatuar o último pecado das pessoas em suas cabeças, o que estaria tatuado na sua agora?

Créditos no céu


VOCÊ ESTÁ PROVADO, E ACREDITA QUE DEUS ESTÁ CONTIGO porque “você tem creditos”: você congrega com frequência, ora todos os dias, lê a bíblia; é fiel, santo, justo, não peca (e se vôce realmente acha que não peca, então não entendeu ainda o que significa pecado*).

Então o tempo passa, e Deus permite que você passe por outra prova, mas dessa vez com as vestes manchadas, sujas; indigno, cheio de falhas e fraquezas (eufemismos para “pecado” que amamos utilizar). E então, você já não sabe mais se Deus está contigo, afinal você não tem mais os tais “créditos”.

E assim Ele nos ensina a lição: nós nunca cremos Nele, na verdade sempre cremos em nós mesmos! Críamos que Deus estava ao nosso lado porque NÓS eramos dignos disso. Ou seja, não vinha Dele, mas de nós: da nossa suposta dignidade e fidelidade.

O que Ele quer nos ensinar é que “não vem de nós, é dom de Deus”**. Talvez Ele nos deixe cair na lama para que Ele nos resgate mesmo assim, e então possamos entender que vem Dele. Simples assim.

Nos sentimos sem chão, mas é apenas Deus retirando o chão do nosso orgulho e mérito sob os nossos pés, para que Ele coloque o chão firme da verdadeira Graça. Um chão firme como rocha.

Pedro achava que poderia seguir a Cristo pela sua própria força***, mas só quando foi colocado de frente com o seu próprio pecado e mesmo assim provou da gentileza de Jesus****, ele pode entender aquilo que todos nós temos que entender: o crédito que temos no céu não foi comprado com as nossas obras, mas sim com o sangue do Cordeiro.

Para ler:
* 1 João 1
** Efésios 2
*** Mateus 26
**** João 21