Qual é a igreja certa?


 

igrejas
Os vizinhos da CCB Cohab 5, em Carapicuiba/SP. Foto de Lucas Pedrosa.

 

Eu não entrei para a onda do ecumenismo, que tenta transformar Jesus em algo tão bonzinho a ponto de negar Sua própria verdade para parecer politicamente correto diante do público. Definitivamente, não é este o Jesus retratado pelos evangelhos. O que vemos é um Jesus que confronta, desafia, argumenta e incomoda. A Verdade que incomoda.

Mas tão nocivo quanto o ecumenismo que tenta amenizar o evangelho para caber nas forminhas alheias é o exclusivismo. É como se tivessemos tentando roubar o santuario, o véu, e o próprio Cristo. É como se Ele, Cristo, se tornasse nossa propiedade. “Cristo só está na nossa igreja!”, “Cristo só está na nossa pregação!”, “Só a nossa igreja salva!”, “Somos a Graça de Deus!”

Parece que Cristo só é o Cristo se estiver do lado de cá do muro. Parece que ele precisa da nossa benção. Da benção da nossa igreja. Parece que a igreja virou intercessora. Só é possível chegar a Cristo se estivermos na igreja certa?

Jesus é o caminho, mas meu é o pedágio? É assim?

Não. Não é. Ou não deveria ser.

Afinal, quão contraditória é a nossa fé, se cremos assim. Afinal, cantamos em quase todos os cultos o hino “Cristo, meu Mestre…” embalados pela doce melodia da Metodista Leyla Naylor Morris. E a melodia de “A paz eu vos deixo”, do presbiteriano Philip Paul Bliss? Quantas vezes foi instrumento do Espírito Santo para acalmar nosso coração atribulado? E o nosso “Forte Rocha”? Que honra! Letra de ninguém menos que Martinho Lutero! E o que dizer do ex-presbiteriano Louis Francescon, nosso fundador? E a nossa Biblia, traduzida pelo ministro da Igreja Reformada Holandesa João Ferreira de Almeida?

Aliás, quão absurdo é, se achamos que o tempo da Graça cessou após os apostolos e só voltou quase 1900 anos depois, com a fundação de uma igreja…

Como disse: o ecumenismo é um mau, mas o exclusivismo não é menos nocivo. É ele quem nos separa, a ponto de causar contendas dentro de familias genuinamente cristãs, que tinham tudo para serem felizes por sua fé; a ponto de separar amigos e criar inimigos por conta de placas de igrejas e suas doutrinas.

E pior ainda é quando procuramos palavras na Bíblia para justificar o injustificável. Qualquer leitor mais atento sabe que quando Jesus se referia a “outros apriscos”, em João 10, Ele falava dos gentios, os não-judeus a quem o Evangelho também seria pregado. Ou seja, nós. Aliás, se a Graça fosse para ser exclusiva, ela seria exclusivamente dos judeus.

Saudar um irmão ná fé, ainda que seja outra a placa de sua igreja não é pecado, não. Pode procurar na Bíblia.

Sim, sabemos também quais são os tempos em que vivemos: de “evangelhos” duvidosos, de igrejas que pregam tudo, menos o evangelho. E não temos que concordar com todos os absurdos que vemos por ai. Mas deixemos os julgamentos a Deus. A nós, Cristo só mandou amar. E não fazer acepção de pessoas, não é?

Oremos uns pelos outros, afinal eles – e nós –  temos muito a aprender.

Aliás, quem são eles? Será que existe mesmo “eles”? Ou será que “eles”, na verdade, somos nós?

Lembre-se de Jesus, e sua resposta aquela mulher samaritana, tão atribulada em saber se a “denominação” certa era a dela ou a dos judeus:

Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.[…] Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.
Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.
João 4:21-24 (fragmentado)

 

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No ônibus


Caso 1: Tarde da noite, o ônibus que nos leva do trabalho de volta pra casa finalmente passou. E como sempre, lotou, mas consegui sentar, pelo menos. Ao meu lado, um haitiano. Não conversamos nada, fiquei o tempo todo no celular. Enfim, este não é o foco do texto. O que importa é que quando o ônibus chegou num determinado ponto, o rapaz haitiano desceu. E então pude ouvir o diálogo entre dois homens que estavam em pé naquele ônibus, próximo ao nosso banco.

“Senta aí” – disse um, apontando para o lugar onde haitiano estava sentado, ao meu lado.

“Não…  Não quero não. Senta você.”

“Eu não. Senta você. Eu estou cansado. Trabalho o dia todo sentado. Pode sentar.”

“Não… Não quero não…”

E a lenga-lenga persistiu por mais um tempo. Eu, no meu celular, nem percebi quando a conversa terminou. Mas fiquei pasmo com o que vi minutos depois: os dois homens sentados num par de bancos um pouco a frente do meu.

Ué? Eles não estavam cansados de ficar sentados o dia todo? Ou é justamente aquilo que eu estou pensando?

Caso 2: Eu e minha esposa, voltando da faculdade, esperando o ônibus. De repente chega um cadeirante no ponto. Não sei se acontece com você, mas sempre que vejo um, me vem a cabeça o quanto essas pessoas sofrem em nossas cidades com acessibilidade mínima. Que bom que, pelo menos por aqui, na zona oeste da Grande SP, quase todos os ônibus já tem elevadores para cadeirantes, mas não são raros os casos em que a aparelhagem não funciona, ou pior: o cadeirante contribuinte tem que encarar a má vontade do funcionário da empresa de ônibus como se estivesse pedindo um favor, e não usufruindo do seu direito. 

Não demorou muito e o ônibus chegou. Uma fila deles, aliás, inclusive o que o cadeirante ia utilizar. O cobrador desce do coletivo para atender o cadeirante, é o motorista, não se sabe porquê, começa a buzinar o ônibus feito louco. 

Mas, pera: Ele está em uma parada, compartilhando o espaço com mais meia dúzia de ônibus. Não precisa buzinar. O ônibus a frente dele, tão logo pegue os passageiros, vai dar partida e ir embora, não é?

Bem, o ônibus logo atrás, lá no fim da fila, era o nosso. Eu e minha esposa subimos, e comentei com ela se o motivo do nervosismo repentino do motorista era aquele mesmo que a gente está pensando…

A gente crítica governo, crítica política, crítica político. A gente se diz religioso, se diz cristão. A gente se diz educado, cidadão, civilizado. Mas cenas como as descritas acima acontecem todos os dias. E talvez nós mesmos já tenhamos participado, seja como vítimas ou culpados disso tudo.

Parece que a gente esquece que qualquer dia desses (Deus nos livre!) um desses ônibus pode passar em cima de nossas pernas, e seremos nós os cadeirantes dá vez.

E nos carregamos, orgulhosos, a fama de pais acolhedor. Mas amamos acolher turista americano e europeu, que na verdade não precisa ser acolhido. Enquanto o pobre coitado, que vem refugiado da guerra ou de um desastre natural é tratado como lixo, como terrorista, sob o argumento mesquinho de que “vão roubar nossos empregos”. Odiamos quando somos tratados assim lá nos States, mas fazemos exatamente igual aqui. Dá pra entender?

Até a lei de Moisés, dada por Deus, prévia que deveríamos tratar o estrangeiro com humanidade. 

Trago esses exemplo aqui, num espaço “cristão”, para que os cristãos reflitam: será que nós estamos repetindo gestos assim?  Será que na correria do dia a dia estamos esquecendo de sermos humanos, como Deus nos criou? Será que estamos esquecendo de praticar o amor de Cristo? Porque seria crente na igreja, sem os confrontamentos da vida é muito fácil. Mas é nessas horas, no meio da rua, é que damos o nosso testemunho.

Obvio que ninguém aqui é santo. Muito menos o que vos escreve. Mas da mesma forma que isso me serviu de alerta, eu espero que te sirva também.

Sobre tatuar os pecados das pessoas na testa


Tenho certeza de que a maioria das pessoas que se condoeram com a situação do rapaz não apóiam a bandidagem, e não acham bandido bom (e não vão leva-los pra casa). Essas pessoas apenas estão criticando a resposta exagerada do rapaz tatuador.
Da mesma maneira, estou certo de que aqueles que defendem, em sua maioria, não são pessoas sem coração, e sim gente cansada desse mundo injusto que vivemos, onde parece que sempre o bandido é que se dá bem e a vítima é que se dá mal.
A verdade é que todo esse mar de injustiça está cansando todos nós. Como certamente cansou o tatuador, que em um momento de raiva, tomou uma atitude exagerada. Mas não me atrevo a critica-lo, afinal, com cabeça quente fazemos muitas coisas, não é?
Mas nós aqui, em nossos celulares, nos achando os juízes de tudo e de todos, não estamos com a cabeça quente como o rapaz, é o que se espera de nós é um pouco de equilíbrio e bom senso. E se dizemos acreditar em Deus então, espera-se muito mais bom senso ainda.
Não me envergonho de dizer aos quatro cantos que creio não apenas em Deus, mas creio que Ele enviou um Redentor – seu próprio filho – em favor tanto do bandido como do mocinho. Pois ambos são vítimas do mesmo pecado, que escraviza um para oprimir o outro. Por essas e outras é que não sou a favor de que cabeças sejas marcadas com os pecados das pessoas, porque creio num Cristo que pode apegar toda a escrita de culpa das nossas vidas, se assim cremos.
“Apronta a vida toda e agora vem dar uma de crente, com a Bíblia na mão”. Exatamente! O cristianismo de Cristo (e não os das religiões) é justamente sobre isso: pegar gente do meio do lixo, do meio do inferno, e transformar em gente digna. E cada vez que perdemos a fé nisso, estamos indo cada vez mais pro buraco.
E, para terminar: se virasse lei tatuar o último pecado das pessoas em suas cabeças, o que estaria tatuado na sua agora?

Como tratar os fracos na fé


Aceitem entre vocês quem é fraco na fé sem criticar as opiniões dessa pessoa. Por exemplo, algumas pessoas creem que podem comer de tudo, mas quem é fraco na fé come somente verduras e legumes. Quem come de tudo não deve desprezar quem não faz isso, e quem só come verduras e legumes não deve condenar quem come de tudo, pois Deus o aceitou. Quem é você para julgar o escravo de alguém? Se ele vai vencer ou fracassar, isso é da conta do dono dele. E ele vai vencer porque o Senhor pode fazê-lo vencer.

Algumas pessoas pensam que certos dias são mais importantes do que outros, enquanto que outras pessoas pensam que todos os dias são iguais. Cada um deve estar bem firme nas suas opiniões. Quem dá mais valor a certo dia faz isso para honrar o Senhor. E também quem come de tudo faz isso para honrar o Senhor, pois agradece a Deus o alimento. E quem evita comer certas coisas faz isso para honrar o Senhor e dá graças a Deus. Porque nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo. Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; e, se morremos, também é para o Senhor que morremos. Assim, tanto se vivemos como se morremos, somos do Senhor. Pois Cristo morreu e viveu de novo para ser o senhor tanto dos mortos como dos vivos. 1Portanto, por que é que você, que só come verduras e legumes, condena o seu irmão? E, você, que come de tudo, por que despreza o seu irmão? Pois todos nós estaremos diante de Deus para sermos julgados por ele. É isto o que as Escrituras Sagradas dizem:

“Juro pela minha vida, diz o Senhor,
que todos se ajoelharão diante de mim
e todos afirmarão que eu sou Deus.”

Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.
Por isso paremos de criticar uns aos outros. Pelo contrário, cada um de vocês resolva não fazer nada que leve o seu irmão a tropeçar ou cair em pecado. Por estar unido com o Senhor Jesus, eu estou convencido de que nada é impuro em si mesmo. Mas, se alguém pensa que alguma coisa é impura, então ela fica impura para ele. Se você faz com que um irmão fique triste por causa do que você come, então você não está agindo com amor. Não deixe que a pessoa por quem Cristo morreu se perca por causa da comida que você come. Não deem motivo para os outros falarem mal daquilo que vocês acham bom. Pois o Reino de Deus não é uma questão de comida ou de bebida, mas de viver corretamente, em paz e com a alegria que o Espírito Santo dá. E quem serve a Cristo dessa maneira agrada a Deus e é aprovado por todos.

Por isso procuremos sempre as coisas que trazem a paz e que nos ajudam a fortalecer uns aos outros na fé. Por uma questão de comida, não destrua o que Deus fez. Todos os alimentos podem ser comidos, mas é errado comer alguma coisa quando isso faz com que outra pessoa caia em pecado. O que está certo é não comer carne, não beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve um irmão a cair em pecado. Mas guarde entre você mesmo e Deus o que você crê a respeito desse assunto. Feliz a pessoa que não é condenada pela consciência quando faz o que acha que deve fazer! Mas quem tem dúvidas a respeito do que come é condenado por Deus quando come, pois aquilo que ele faz não se baseia na fé. E o que não se baseia na fé é pecado.

(Romanos 14)

Mais que a ‘cultura do estupro’: a cultura da violência, a cultura da falta de amor


Porque é necessário sair da superfície e ir ao fundo desse mar, entender como as coisas acontecem.

ENQUANTO GRITAMOS EM VOZ ALTA APONTANDO CULPADOS PARA O CASO DO ESTUPRO, defendemos nossas posições, partidarizando tudo… E as vítimas, trancadas, apenas choram. Não apenas a do tal estupro, o último caso de repercussão, que está fresquinho em nossas mentes, mas todas as outras vitimas. De todos os outros casos. De todos os outros estupros. De todos os outros tipos de violência.

Aliás, já parou para pensar em quantas pessoas nesse mundo estão sofrendo algum tipo de violência neste exato momento? Entre mulheres, homens, crianças, nações inteiras… Por meio de violência sexual, guerras, repressão, ditaduras, até mesmo por meio das religiões, que deveriam pregar o bem…

Eu, em algum momento da minha vida, achei que a discussão poderia nos deixar mais inteligentes, mas vejo que elas estão nos deixando mais burros, porque eu vejo que as pessoas não conseguem sair da superfície, e esquecem do problema em si para defender o seu “lado da razão”. É como olhar para o rio Tietê: a cor do rio é o resultado do que existe em seu interior. A cor e o cheiro do rio são uns dos problemas, mas não são as causas. Continue lendo “Mais que a ‘cultura do estupro’: a cultura da violência, a cultura da falta de amor”

Mais que uma data comemorativa


DATAS COMEMORATIVAS são ótimas oportunidades para homenagear pessoas que amamos, e também são ótimas momentos para reflexões mais profundas. Como a data de hoje, por exemplo. É muito bom que haja um dia onde as disparidades entre homens e mulheres na sociedade seja motivo de reflexão no mundo todo. Isso é um ótimo sinal de que nosso pensamento está evoluindo.

O problema é quando reduzimos tudo a uma data, uma anotação de calendário. O problema é quando uma sociedade vai as redes sociais postar mensagens de “dia das mulheres” no dia 8, mas nos outros 364 dias desrespeita ou consente com todo o tipo de desrespeito à mulher, a tratando apenas como um objeto sexual, um par de pernas para a gente olhar. Um mundo cruel onde é necessário ir à entrevista de emprego de saia curta, e se for violentada no caminho, é porque merecia, afinal “olha só o tamanho da saia que ela estava…”. Continue lendo “Mais que uma data comemorativa”

Éden: Mais que uma história sobre maças e pecado


Quando se fala em Eva, Adão, o senso comum logo nos leva à imagem da mulher mordendo “a maçã do pecado”. Aliás, quando se fala em pecado, logo se pensa em sexo (e por isso a imagem da maçã e da mulher sempre é apresentada de maneira sensual). Isso só mostra como a nossa cultura e o senso comum foi nos distanciando, através dos tempos, da mensagem principal dos primeiros capítulos de Gênesis.

Não só o senso comum, mas a ciência também, que com todo o seu empirismo, vive perguntando para Gênesis onde estão os dinossauros, e as evidências da evolução das espécies que Darwin teria descoberto.

No fim, a história do início, do Gênesis, foi reduzida a uma teoria cientifica sem base cientifica, ou a uma loucura religiosa para negar a “sábia ciência”, ou então a história de um Deus que criou um mundo perfeito, mas que por algum motivo esqueceu a “árvore maldita” no meio do jardim, o que acabou prejudicando toda a humanidade.

O Éden não é apenas uma história sobre maças, pecados e criação da humanidade. O Éden é uma história de amor. A maior de todas elas. Já parou pra pensar nisso?  Continue lendo “Éden: Mais que uma história sobre maças e pecado”