Estava eu trabalhando no textão polêmico desse mês de agosto (que aliás estava atrasado), tava já quase tudo pronto, mas aí veio o tal do ‪#‎PokemonGo‬ pra me fazer mudar a pauta do blog…

É que o tal joguinho faz bem o perfil daqueles lançamentos cujo logo aparecerá alguém postando na internet que “é do demônio”. Aliás, não é de hoje que classificamos coisas como sendo “do demônio”. Já foi assim com a TV, com a internet, com o Orkut, com o Whatsapp…

AFINAL, POKEMÓN É DO DEMÔNIO OU NÃO? Não esperem de mim uma resposta. Afinal, como posso sair por aí afirmando que um jogo foi consagrado “às forças das trevas”? Por acaso eu estive presente no ritual de sacrifício? Você esteve? Então… É impossível afirmar. Se fizer isso, estou correndo sério risco de levantar um falso testemunho sobre os criadores do jogo, e isso sim a bíblia (Êxodo 20:16) e a lei (Art. 139 do Código Penal) condena, não é?

MAS… Bem, eu sei o que você está pensando. Me assusta também ver marmanjos de 20 e tantos anos com seus celulares nas ruas de cidade caçando Pokémon. E eu também acho tudo isso meio alienador. Hoje mesmo, abri o Youtube, e apareceram 5 vídeos sobre o jogo na minha tela, de canais que eu nem assino… E no caso de nós, que somos cristãos, todo o tipo de alienação parece ser uma tentação a nos afastar de Deus.

MAS O PROBLEMA ESTÁ NO POKÉMON OU NO CRENTE? Por muito tempo achamos que o problema estava na televisão, por exemplo. E o aparelho se tornou um artigo proibido na casa dos crentes. Muitos a repugnavam, enquanto outros mantinham uma curiosidade tentadora acerca da “bendita”. Então veio os anos 2000 trazendo consigo a popularização da internet, e a televisão – condenada por trazer mensagens demoníacas – perdeu seu espaço para o computadores, que permitia ao usuário não apenas assistir, mas também interagir com a tal da mensagem demoníaca. E as redes sociais então? Quantos ensinamentos não ouvimos sobre “os perigos (reais, na verdade) do Orkut?

TVs, internet, games… Tudo isso tem os seus problemas, e isso é inegável. Mas a questão não está no problema, e sim na abordagem.

O CASO DO SOFÁ. Quem nunca ouviu a respeito daquele famoso caso do sofá?

“O marido chegou em casa e encontrou a sua esposa com o amante, em cima do sofá. O homem passou dias pensando em uma solução para o caso, até que ele teve a brilhante idia: trocar o sofá”.

Muitas vezes é assim que nós, crentes, tratamos as situações: queremos tratar os problemas, e não as CAUSAS, sem perceber que quando você trata as causas, elimina todo o problema. Traduzindo: o problema daquele casal que divorciou estava no whatsapp ou na frieza do seu relacionamento? Será que a falta de espiritualidade dos crentes tem a ver com joguinho do Pokémon, facebook, orkut, ou com a sua falta de intimidade com Deus através de leitura bíblica e oração?

MAS ELES SÃO MONSTRINHOS… Monstrinho em jogo e desenho animado é o que mais existe, e o que sempre existiu. Crescemos assistindo desenhos com monstrinhos, animais que falam e todo o tipo de criaturas. E ainda hoje muitos jogam e assistem tudo isso. Mas o caso do Pokémon é que o jogo ganhou evidência, e então estamos aqui falando dele, mas a franquia Pokemon foi criada em 1995, e só agora, 21 anos depois, viemos reparar que o tal jogo “é do dêmonio”?

CAMELOS E MOSQUITOS: Será que não temos coisas mais importantes para nos preocupar do que jogos de celular (que nem mesmo sabemos se vai vingar no Brasil por causa do preço da internet 4G, do risco de ser assaltado, entre outros fatores)? Será que nós, crentes, não vemos problemas muito maiores acontecendo em nossas igrejas – e na sociedade como um todo – e nos calamos, e fazemos de conta que não é conosco? Será que não estamos coando mosquitos (ou monstrinhos) e engolindo camelos?

Jesus, uma vez, falou sobre isso, sobre crentes que não observavam as leis mais importantes: ser justo, bondoso e honesto com as pessoas:

“— Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês dão a Deus a décima parte até mesmo da hortelã, da erva-doce e do cominho, mas não obedecem aos mandamentos mais importantes da Lei, que são: o de serem justos com os outros, o de serem bondosos e o de serem honestos. Mas são justamente essas coisas que vocês devem fazer, sem deixar de lado as outras. Guias cegos! Coam um mosquito, mas engolem um camelo!” (Mateus 23:23-24)

Nos preocupamos em demasia com pokémons enquanto nos esquecemos daquele que precisa ser visitado, ser amparado, abraçado, entendido, bem tratado, sem a peçonha das fofocas e falatórios, mas abraçado como um que espera de seus irmãos uma mão amiga para continuar caminhando. É óbvio que cada um é cada um, e cada um sabe de si, e essa carapuça não serve para você, então não a vista; mas de maneira geral, estamos nos tornando uma igreja (não estou falando de denominação, mas de grupo de crentes) fria, desunida, sem amor, que só observa as regras, os “não-podismos” que alcançam até os aplicativos que temos em nossos celulares, mas está esquecendo a cada dia de praticar mais e mais o amor, o único mandamento que nos foi exigido por Cristo.

Mateus 23:23, ciitado acima, fala: “Mas são justamente essas coisas que vocês devem fazer, sem deixar de lado as outras.”. Trazendo para os dias de hoje, é óbvio que esse “movimento de manada” que nos quer fazer sair as ruas caçando Pokémon – assim como qualquer outro “movimento de manada” – talvez não seja a coisa mais sensata a se fazer, e talvez isso seja um sintoma de uma igreja que está muito sintonizada com as novidades do mundo enquanto esquece de buscar o “novo de Deus”. Mas de nada adianta apagar aplicativos do seu celular se você não pretende sair por ai e tentar ser cristão de verdade.

MAS, SE O JOGO FOR ENDEMONIADO MESMO? Bem, como disse, é temerário sair por aí apontando isso ou aquilo como “demoníaco”. Como saber? Como saber se o jogo, ou a roupa que você veste, ou a comida que você comeu no restaurante semana passada foi consagrada? Para casos assim, Paulo escreveu aos Coríntios:

“Vocês podem comer de tudo o que se vende no açougue, sem terem nenhuma dúvida de consciência. Pois, como dizem as Escrituras Sagradas: “A terra e tudo o que nela existe pertencem ao Senhor.”
Se alguém que não é cristão convidá-los para comer, e vocês resolverem ir, comam o que for posto na frente de vocês e não façam perguntas por motivo de consciência. Mas, se alguém disser a vocês: “Esta comida foi oferecida aos ídolos”, neste caso não comam, por causa daquele que disse isso e também por motivo de consciência. Não estou falando da sua própria consciência, mas da consciência do outro.” (1 Coríntios 10:25-29)

PARA CONCLUIR: Me preocupo quando vejo cristãos (de maneira geral) se preocupando mais com jogos de videogame (seja para jogar ou para condenar) do que com questões que realmente deveriam preocupar. Falo por mim mesmo: quanta coisa tenho que melhorar em mim! Quantas coisas preciso corrigir! Quantas coisas preciso da guia de Deus! Preciso que Ele me ilumine e me de forças para que eu possa honrá-lo como Ele merece. E a igreja (irmandade), então? Como ela precisa ser mais amiga, mais compreensiva, mais tolerante, mas dada ao abraçar do que ao falar, ao julgar. Como precisamos criar um ambiente mais aconchegante, do ponto de vista espiritual, menos preocupado com coisas e mais preocupado com gente. E como eu sinto que preciso melhorar para poder fazer parte disso, porque escrever textos até ajuda as pessoas a pensar, e tocar em assuntos polêmicos provoca reflexão, mas eu também preciso agir, e não apenas falar, ou escrever.

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