Nenhuma contradição será tolerada, exceto a minha

Olá!

Meu nome é Bruno. Escrevo aqui porque estive pensando em algo, e gostaria que você pensasse também. A pergunta é: você nunca encontrou alguma falha em seu discurso? Independente de qual religião você professe, será que 100% do que você defende na internet está correto? Será que a sua visão religiosa é realmente tão perfeita quando você diz? Será que seu discurso não se resume a mostrar suas razões e ocultar as falhas que há na sua religião?

Pois eu acho que se você negar, talvez você esteja mentindo, ainda que seja para você mesmo. Eu também neguei, e também menti para mim mesmo.

Por exemplo, vocês, católicos. Abram o livro de Êxodo, o vão lá no primeiro mandamento que Deus deu a Moisés. O que ele fala sobre a confecção de imagens? Olha, não interessa se vocês chamam isso de adoração ou veneração, a bíblia é bem clara sobre isso. E isso é sério! Quando algum homem alcança uma cura milagrosa pela fé e nós canonizamos alguém por causa disso, nós estamos simplesmente roubando a glória de Deus. Nunca pararam pensar por esse lado? Maria, por exemplo: uma santa mulher de Deus, a Virgem Maria, a reconhecemos assim também, e Glória a Deus por ela! Mas Jesus se colocou como único intercessor entre Deus e os homens. Então porque direcionar orações a alguém que está aguardando a ressurreição no último dia? Assunção de Maria? Onde, na bíblia, isso está escrito? Eu sei que como evangélico, não tenho direito que usar isso para tirar vocês do cristianismo. Estamos errados ao fazer isso, independente de quão errados vocês possam estar, porque a salvação não pertence a mim, nao  morri em uma cruz, logo não tenho direito de dizer quem vai pró ceu e quem não vai. Que arrogância a minha! Mas como eu disse: talvez vocês não estejam tão certos no seu discurso. Talvez tudo isso apenas alimente um grande mercado. E olha que triste, vocês criticam tanto os evangélicos por causa disso. Aliás, foram vocês que inventaram o “mercado gospel”, com aquelas indulgências. Eu sei que também não estamos em condições de julga-los. Acompanhe o texto até o final, vou apresentar minhas culpas.

E vocês, umbandistas, candomblécistas? Reclamam de preconceito. E sofrem muito. Reconheco que é muito mais fácil defender e participar da religião branca do que da religião negra. Mas, teve uma vez que minha família toda foi ameaçada por um de vocês, que prometeu jogar “macumbas” sobre nós. E aí? Como vocês querem reclamar de preconceito agindo assim, pela coação? Como posso acreditar que sua religião é do bem se alguns de vocês só pregam o mal? E essas “amarrações” que vocês tanto anunciam? Nao vejo um cenário onde uma amarração pode ser algo bom. Acho que vocês deveriam tratar melhor a religião de vocês, mostrar o que realmente vocês tem de bom, e aí sim, reclamar sobre preconceitos.

E vocês, mulcumanos? Não quero culpar vocês pelos terroristas que há entre vocês, quando o meu país está cheio de mulçumanos refugiados, que são vítimas de outros mulçumanos. É lógico que nem todo mulçumano é terrorista. Mas tem uma coisa. Vocês chegam aqui e nós recebemos vocês (e a religião de vocês) de braços abertos, será que vocês nos receberiam assim nos seus países? Não é o que vejo. Quando estamos lá, sequer podemos declarar nossa religião, ou então é morte! Vocês tem mesmo certeza que o Alá de vocês bate palmas para tudo isso? Vocês tem certeza mesmo?

E você, ateu? Lendo tudo isso e rindo da nossa ignorância. Já pararam pra pensar que são vocês que tem algo a provar aqui, e não nós? Todas as etnias e povos da história reconhecem que há um ser Maior. Será que todos estão errados, e só vocês certos? Se sim, então não passa pela cabeça de vocês que cabem e vocês provar a não-existência de Deus? São vocês os incomodados com a presença do divino, e não nós. E, segundo o método científico de vocês, não se pode afirmar algo sem provas científicas. Então, é muito controverso vocês saírem por aí afirmando que Deus não existe. E daí que os religiosos tem falhas? E vocês, não tem? Minha igreja faz cultos em presídios, muitos presos já foram recuperados e hoje tem uma vida digna graças a isso. E vocês, quantos presos já recuperaram? Me digam…

Mas eu não vou isentar minha própria religião. Até porque o Jesus que tanto falo, vocês sabem qual religião ele mais criticava? Não era a dos outros, e sim a sua própria. A ponto de ser morto pelos seus próprios colegas de religião. Então, não entendo essa nossa ânsia, evangélicos, de nos acharmos a última bolacha do pacote, nos acharmos juízes de tudo e de todos.
Falamos tanto de uma tal de “Graça”, mas, e daí? Será que nos praticamos ela mesmo? Como dizem: ” Jesus é legal, o problema são seus fãs!”. Falamos de graça mas nem deveríamos! Você aceita um mendigo sentando ao seu lado no banco da igreja? Um gay você não aceitaria… Se graça significa favor, nos lembra da redenção, do amor, do abraço, então que graça há no mercado gospel? Que graça há nos caches astronômicos dos pastores, e nas correrias atrás dos homens de púlpitos (e ainda queremos julgar a idolatria dos católicos)? Que graça há no dízimo obrigatorio e nominal? Que graça há em ridícularuzar e excluir um casal adolescente que transou antes de casar? Todos sabemos o que é pecado e o que não é, mas Jesus por acaso nos ensinou a virar as costas para o pecador? Foi isso que Ele fez com Zaqueu? Com aquela mulher adúltera? Que graça há em achar que só a nossa denominação é a Graça?

Isso nao tem Graça nenhuma.

“É por isso que o nome de Cristo é blasfemadores entre eles”. Não fui eu quem disse isso, foi Paulo, aos Romanos. Lá na bíblia que tanto procrastinamos em ler. Talvez a Graça não seja sobre prosperidades, e sim sobre a cruz. Ja parou pra pensar nisso? Eu já. Se disser que muitas vezes, estaria mentindo, mas já parei pra pensar.

É muito fácil “colocar a nossa melhor roupa” e irmos para os grupos da internet defender nossa religião (ou seria a nossa razão?). Difícil é praticar, estender a mão, tratar o outro como ser humano, criação de Deus. De que adianta taparmos nossas imperfeições com uma peneira, e criar um orgulho besta sobre nossa religião, se diante do Deus que tudo vê, estamos todos nus, crendo voce em Deus ou não. Afinal, você sabe que não é perfeito. Você conhece seus erros. Eu conheço os meus, e me envergonho.

Talvez devêssemos ser mais humildes. A começar de mim, que escrevo sobre religião por aqui. Pense nisso.

(Inspirado na canção “Forgive me for asking”, do rapper americano Propaganda.)

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