Olá.

Meu nome é Bruno. Tenho 28 anos, sou homem. Sim, uso cuecas. E reconheço que é dificil, até ousado, entrar e opinar em assuntos de mulheres quando nunca fui uma. E nunca serei. O mais próximo que posso chegar de uma mulher é na base da observação: minha mãe, minha irmã, minha futura esposa. Observar suas histórias, anseios, memórias, cólicas… E tentar entender um pouco que seja do que é ser mulher.

Não sou hipócrita. Sei que a vida já começa mais difícil quando não se nasce com um pênis entre as pernas. Talvez da mesma forma que a vida já começa mais difícil quando você nasce com a cor de pele mais escura, ou passa sua infãncia nas escolas públicas mal estruturadas de Itapevi, cidade da periferia da Grande São Paulo. Conheço um pouco da dor de vocês, eu sei.

Enfim, infelizmente este mundo escolhe seus padrões preferidos e excluem quem não se encaixam neles. Isso é triste.

Também assisti o tal vídeo “Meu corpo, minhas regras”, por isso estou escrevendo aqui. O vídeo fala de aborto, do direito que cada mulher teria sobre seu prórprio corpo. À primeira vista, parece bastante óbvio: “meu corpo, minhas regras”.

Afinal, é injusto condenar mulheres por não ter tido a força de prosseguir com suas gestações como se fossem apenas elas as que tivessem abortado. Ora, o filho não pertence apenas a elas. Elas não o fizeram sozinhas. Teve um homem também. O homem também aborta assim que ejacula e some, essa é a verdade. Meu pai me abortou quando eu tinha 3 anos e minha irmã tinha apenas 1. Nunca nehuma legislação cobrou isso dele. Mas até as palmadas que minha mãe nos dava para nos educar sozinha tinha que ser às escondidas, quando os olhos do juizado de menores (que depois virou conselho tutelar) não estavam sobre nós. Complicado.

Sabe, como cristão e amante da vida que sou, não posso, e não consigo concordar com a ideia do aborto. Não adianta, eu não consigo. É uma questão de acreditar na vida.

E falar que sou cristão é realmente relevante. Eu sei que muitos dos que leem inclusive culpam o cristianismo por grande parte do que se chama de “machismo” hoje em dia. Inclusive, o tal vídeo questiona o “mito” da Virgem Maria, supõe que a palavra “virgem” seja um erro de tradução, e que talvez ela não fosse…

Bem, sobre a questão da Virgem Maria, não esperem que eu chegue aqui com um resultado de exame de gravidez dela. Isso não vai acontecer. Você vai ter que ter fé para crer. Ou então não creia. Simples assim.

Mas é fato que Maria era uma mulher que teve todos os motivos para abortar. Há dois mil anos, numa época sem feminismo, sem youtube e sem propaganda pró-aborto de globais. Em uma época em que em várias culturas, nem gemer elas podiam. Como explicar para o mundo que um anjo desceu, e que o Espírito de Deus lhe deu um filho? rsrs… Imaginem só… A história diz que seu “namorado” José recebeu a visitação do anjo. Mas, e a familia dele? E a familia dela? E os vizinhos? As vizinhas fofoqueiras? Um casalzinho não “escolher esperar” naquela época era mais grave do que abortar hoje em dia. Não havia dicussão. Não havia opinião.

E, independente de você crer se Maria concebeu virgem ou não, ou se seu filho Jesus é o filho de Deus ou não, imagine que aquela menina Maria poderia simplesmente ter abortado. Hoje, não haveria Maria, não haveria Jesus, não haveria o único grito de esperança nesse mundo tão vil.

E, quando você aborta seu filho? Do que você está privando o mundo? Alguns podem falar “de um bandido, de um andarilho”… Mas, não. Estatisticamente,não. Eu tambem nasci e cresci em bairro pobre, e nem por isso peguei em armas. Hoje, estou aqui. A Palavra é a minha arma. E talvez, quando você aborta seu filho, você está privando o mundo de algo de bom, mesmo que ele não curse uma faculdade.

Sabe, o mundo maltrata a mulher. Subjuga. Ela so serve para sexo, filhos, serviços domésticos… E antes da industrialização, era pior ainda, pois não era considerada “força de trabalho” no plantio. Peso morto.

Mas, o que eu quero dizer que Deus não odeia as mulheres, e que Ele não as escolheu como objeto de sua ira. A bíblia conta sobre o pecado de Eva, é verdade. Mas Deus é tão justo e delicado que, se o pecado entrou no mundo através de uma mulher, essa mesma bíblia conta que foi por outra mulher que a salvação veio. Em Maria, Deus provou seu amor em todas as mulheres, e em Jesus, em toda a humanidade.

A bíblia e Deus não maltratam e subjugam a mulher. Enquanto o mundo diz que ela só vale pela maternidade, ou pior ainda, pelo seu sexo (lembra de algum funk?), Deus lembra que “seu valor excede o de muitos rubis” (Proverbios 31), e “quem encontra uma mulher, encontra a benção de Deus” (Proverbios 18). Deus defende que elas deveria ser amadas por nós homens como nós amamos o nosso próprio corpo, ou então como Cristo ama a sua igreja (Efesios 5). E até na hora do sexo, são elas quem ditam as regras (1 Corintios 7). Aqui sim vale a máxima “meu corpo, minhas regras”.

E, se você ainda duvida do amor desse Deus pelas mulheres, quero lembrar do cuidado que Jesus teve com elas ao ser o único a dar ouvidos e a conversar como amigo com aquela samaritana que ja tinha passado pelas mãos de seis homens (João 4), e o único a defender a mulher adultera (João 8).

E, se ainda não é o suficiente, em Apocalipse 19, Jesus usa a figura de uma mulher para representar a sua igreja (igreja aqui não se refere aos templos e religiões, mas ao grupo de pessoas que creram nele, em todas as épocas e locais), a qual ele chama de “esposa”. Para Jesus, sua igreja é como uma mulher. Pura, linda, adornada, delicada; mas também sofrida, lutadora, julgada, injustiçada, discriminada, desvalorizada, violentada, sendo forte na sua fragilidade. Os que creem verdadeiramente em Jesus, os que são verdadeiramente “sua esposa” também sofrem, assim como as mulheres: sem voz ativa na mídia e na cultura, sendo lembrada apenas por aquilo que “faz de errado”.

Deus ama as mulheres. Concedeu a uma delas a graça de ser a mãe do Salvador das nossas almas. E a todas as outras, concedeu a graça de dar a luz à salvadores também: médicos, bombeiros, soldados, padeiros, pedreiros… Até quem escreveu aquele livro que você tanto gosta e te salvou do tédio de sabado a noite. Alguem que não foi abortado.

Que salvador será seu filho? Quantos ele salvará? Que salavdor você carrega em sua barriga agora? Eu sei que as coisas não são cor-de-rosa. O pai já foi embora, a familia despreza. Mas, por favor, dê a luz ao salvador. Maria foi em tudo ajudada por Deus. A vida vem dele. A vida que esta em sua barriga tamém veio dele. Não será fácil. Não será cor-de-rosa. Mas vai dar gosto ver o fruto do seu ventre salvando pessoas nesse mundo: seja salvando roupas velhas em uma maquina de costura, salvando um país na cadeira da presidência, salvando o mundo de uma doença incurável em um laboratório ou salvando a noite de domingo de muitas crianças ao ser o rapaz que entrega a pizza.

Aos homens, esse mundo deu muitas coisas. Mas, o dom que Deus a mulher, nenhum homem nunca poderá ter. Não o negue. Não o aborte.

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