UM POVO ESPERANDO QUE UM MAR SE ABRA. Não assisti ainda um capitulo que seja da tão falada novela “Dez Mandamentos”. Mas basta sair pelas ruas da cidade e perceber como essa produção está na boca do povo. É logico que como bom “viciado em leitura” que sou, sempre vou achar o livro melhor do que o filme (ou a novela, rsrs), aionda mais quando o livro se trata d’O Livro, a própria Palavra de Deus.

Mas, não sei se você percebeu uma coisa. E se você tiver disposto a enxergar o “copo meio cheio”, você também verá o que eu estou vendo através do fenomeno “Dez Mandamentos”.

O recado é claro.

Vinhamos numa epóca onde a Globo se perdeu na suas tentativas exageradas em defender a homossexualidade em suas novelas. Não que ela não tivesse esse direito, mas é de aceitação geral que ela andou cometendo exageros. De repente, mostrar casais do mesmo sexo se beijando parecia mais importante do que contar uma história através de uma trama. E aí de quem reclamasse, ou sequer não assistisse: era tachado pela sociedade como homofóbico, preconceituoso e por ai vai… A “sociedade homofóbica” foi considerada a principal culpada pelo fracasso do casal gay da novela Babilônia, como se fossemos obrigados a amar um personagem, seja gay ou hetero. (Aliás, a Globo não é absurda apenas quando tenta nos empurrar casais gays goela abaixo. O padrão de heterossexualidade defendido pela emissora carioca é nojento. Beira o incesto).

Aí, de repente, no meio de tudo isso, surge uma novela bíblica na televisão, produzida por um canal cujo dono representa tudo o que há de mais sujo no “meio evangélico”. E essa história bíblica cai no gosto do povo, e a tal da novela bate recordes de audiência.

O recado é claro! Só não vê quem não quer.

Essa sociedade está à espera de um milagre. Eles tem fome e sede de Deus.

Pode até ser legal para alguns ver a modernidade da “liberdade” do tal beijo gay, mas beijo gay não é milagre, não aquece a alma. O sucesso de Dez Mandamentos não é nada além daquilo que Paulo já dizia há 2 mil anos: somos uma geração orfã, a espera da adoção:

“Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.
E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.”
Romanos 8:22,23

Ouça o clamor dos ônibus, das estações de metrô e das filas dos bancos e veja que “Dez Mandamentos” não é uma novela assistida apenas por crentes. A sociedade brasileira, tão sofrida e tão assolada, inclusive nesses últimos tempos, na verdade, ainda que inconscientemente, está pedindo colo, e se arrepia ao ver a história de um pai tão amoroso que, se necessário, faz uma coluna de fogo descer dos céus, manda pragas sob toda uma nação… E até abre o mar por amor dos seus filhos.

A sociedade brasileira, que cresceu sem pai, de repente está sendo apresentado à um pai, à um amor de verdade. Ainda que a novela não foque isso da maneira que deveria, mas é isso que eu sinto e vejo quando algúem, sabendo que sou crente, vem me perguntar mais a respeito da história de Moisés e do povo hebreu, como aconteceu comigo há poucos dias.

Não quero me deixar levar pelas emoções. Não fecho os olhos para o absurdo que é a Igreja Universal e seu império. E sei também que qualquer efeito especial bem feitinho já é capaz de prender a atenção de todo um público (Hollywood não me deixa mentir). Mas enxergue o copo meio cheio, tenha um pouco de sensibildade: esse povo aguarda por adoção, esse povo pede por um pai.

Gente, a seara é grande, mas falta os ceifeiros, como já dizia Jesus. A Palavra está sendo pregada. Deus está usando as linhas tortas da mídia suja brasileira para escrever certo. Cabe a nós, crentes, ter a sensibilidade em perceber o momento que que vivemos, e clamarmos a Deus por aquela mesma unção de Isaias, para que possamos anunciar o “Evangelho da graça sem par”, como diz aquele hino.

“Unge meus lábios, e anunciarei

o Evangelho da graça sem par.”

(‘Vem Rei Eterno’, hino 322 do Hinos de Louvores e Súplicas à Deus, Livro 5)

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