Onde estão os homens dessa geração?

“Ora, se vemos mulheres lutando sozinhas, onde estão os homens então? Onde estão os homens dessa geração? Onde estão os pais dos filhos das mães solteiras? Onde estão os maridos das esposas que enfrentam jornadas triplas, quádruplas de trabalho, sozinhas?”

NA ACADEMIA, elas sempre fazem exercícios mais leves, enquanto nós queremos “puxar peso pesado” desde o primeiro dia. Quando as cumprimentamos, recebemos um toque suave, tipicamente feminino das suas mãos. Já quando cumprimentamos um deles, apertamos com força, demonstrando firmeza. Como cavalheiros que somos, sempre pegamos a sacola pesada, e no máximo, deixamos a leve para elas.

Talvez seja por isso que na versão para eles do livro “Seis Textos”, eu pego bem mais pesado do que na versão para elas.

Calma! Não me considerem um machista após lerem esse primeiro parágrafo. Pegar menos peso na academia não faz de mulheres seres inferiores, de maneira alguma!

Muito pelo contrário. O que seria do mundo sem elas? Ainda mais de cinquenta anos para cá, onde elas simplesmente assumiram espaços em todos os campos da atividade humana…

Mas o que me preocupa é o sobrepeso.

Vejo mulheres sobrecarregadas, de uma maneira que nem mulheres (e nem homens) deveriam estar. Vejo mulheres preocupadas em trabalhar, estudar, cuidar dos filhos, do marido, da casa, dos pais… Lutando sozinha uma luta que era para ser dos dois: homem e mulher.

Ora, se vemos mulheres lutando sozinhas, onde estão os homens então? Onde estão os homens dessa geração? Onde estão os pais dos filhos das mães solteiras? Onde estão os maridos das esposas que enfrentam jornadas triplas, quádruplas de trabalho, sozinhas?

Onde estão os homens dessa geração?

Me preocupa o número de homens casados, na faixa dos trinta ou quarenta anos, aficcionados em séries, videogames, happy hours e futebol enquanto mulheres tem que tomar sozinhas as decisões sobre as dívidas da casa. O que era para ser apenas momentos de distração em uma vida cada vez mais corrida está sendo levado por homens como uma verdadeira religião, enquanto mulheres sequer tem direito ao descanso.

A verdade é que nos aproveitamos da sede delas em provar e conquistar igualdade e estamos deixando elas assumirem o peso todo, enquanto nós preocupamos com a nova temporada da nossa série favorita, achando que colocar dinheiro em casa já basta. Enquanto isso, nossas mulheres seguem sobrecarregadas, desnecessariamente pressionadas em provar um tal “valor” na sociedade, enquanto nossos filhos crescem sem uma referência masculina decente. Questionamos muito os “novos modelos de família” que surgem, mas está na hora de olhar para o nosso modelo tradicional de família e nos perguntar se estamos fazendo direito. É claro que este modelo nos foi dado por Deus, mas é certo que não estamos cumprindo a vontade de Deus como homens quando sentamos no sofá e jogamos tudo nas costas delas.

A vontade de Deus é que levantemos as nossas bandeiras! Que assumamos a responsabilidade que nos cabe! Que paremos de trapassear nossas mulheres com esse discurso de “provar seu valor na sociedade”. Ora, elas já nos carregam por nove meses em suas barrigas, com todas as implicações que isso ocorrem até mesmo depois do parto, e por toda a vida. Elas já sofrem todo o tipo de preconceito e violência, e ainda vamos aproveitar a luta delas pelo direito ao mínimo de respeito para jogar as contas da casa e a criação dos filhos nas costas delas?

Vamos parar com essa exploração! Vocês estão sendo trapasseadas, mulheres! Como o hamster que caminha infinitamente naquele circulozinho sem sair do lugar.

Os textos em seguida são direcionados a homens jovens, que provavelmente ainda não tem família, assim como eu. Nós somos a primeira geração com a real chance de fazer totalmente diferente das demais. Somos a primeira geração que pode fazer certo: por um lado, não subjugar as mulheres como se elas fosse menores e nossa propriedade, mas também sem usar o discurso feminista como desculpa esfarrapada para a nossa omissão. Nós conhecemos e presenciamos os dois lados dessa moeda nas nossas casas, em nossas famílias. Todos nos temos pelo menos uma história dessas para contar. Quantos de nos aqui fomos criados sem pai? Quantos aqui sofremos o desprezo e a negligência daquele que deveria ser nosso defensor? Quantos aqui cresceram em meio a violência, presenciando pais batendo em mães? Muitos dos que estão lendo isso.

E aí? Vamos repetir isso diante dos nossos filhos? Vamos perpetuar isso? Ou vamos quebrar essa corrente e começar algo novo?

Se, pra você, isso for mais importante do que a próxima temporada de Game of Thrones ou da Libertadores, então venha conosco.

Vamos mudar o mundo!

(Esse é o capítulo de introdução do nosso novo livro no Wattpad “Seis Textos para Eles”, que são a seleção de seis textos para os moços já publicados aqui no Eita Mocidade. Foi lançada hoje no Wattpad, também, a versão feminina “Seis Textos para Elas”, que já pode ser lida neste link: http://bit.ly/SeisTextosParaElas)

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2 comentários em “Onde estão os homens dessa geração?

  1. Os homens aprenderam ,com o feminismo, a serem independentes, estudarem, trabalharem e pensar apenas em si próprios…sexo casual é tranquilo nesse caso.
    Qual o problema dos homens no mundo inteiro estarem buscando a tão desejada liberdade individual?
    Quem se preocupa com o que estamos fazendo é porque não esta tão “bem resolvido(a)” assim….onde esta o discurso da mulher independente que não precisa de homem? Acabou?

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    1. O mal dessa geração é achar que é possível viver uma vida independente, e que é fraqueza depender do semelhante. Para mim, isso não passa de uma das facetas do individualismo que vivemos hoje.

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