Aos Evangélicos, Capítulo 1

NÓS, EVANGÉLICOS. Amamos nos colocar como melhores que os outros. Mas, pare para pensar: fazemos isso baseado no quê? Fazemos isso baseados em quem? Certamente não foi na parábola de Jesus sobre “o fariseu e o publicano” (Lucas 18), e nem na passagem onde Jesus responde seus discípulos sobre quem seria “o maior do reino dos céus” (Mateus 18).

Nos colocamos como melhores que os demais porque fazemos isso e deixamos de fazer aquilo. Por conta das nossas supostas boas obras, até mesmo vivemos em pé de guerra com as denominações co-irmãs, pois achamos que a nossa doutrina é mais perfeita do que a deles.

Mas, o que esquecemos é o que Paulo fala no livro de Romanos, capítulo 3, que “não foi encontrado um justo se quer, não foi encontrado um que não peque”.

Logo, de acordo com o nosso próprio livro sagrado, somos todos pecadores, apesar de uma ou outra boa obra, mas ainda assim acreditamos ser bons a ponto de sentar-se no trono e julgar seja o nosso vizinho, seja o rapaz da outra religião, como se fossemos perfeitos.

Ora, o juiz não pode ter crimes a pagar. Senão, como ele poderia julgar os criminosos?

Tem um escritor cristão – C.S. Lewis – que disse algo que é primordial, e que todos nós deveriamos atentar. É algo como “a unica coisa que temos e que outras religiões não tem é a graça”.

A GRAÇA. O perdão. A redenção. A segunda chance. E tudo isso nós é dado por Jesus gratuitamente, porque somos todos tão cheios de erros que sequer merecemos uma segunda chance. Erramos todos os dias.

Engraçado é ver crentes criticando católicos porque eles penduram imagens de santos nas igrejas, mas nós fazemos o mesmo: penduramos imagens do São Thalles Roberto, da Santa Aline Barros nas nossas paredes. Santo por santo, ainda prefiro o Agostinho, que pela história que conhecemos, teve uma vida bem mais integra do que Malafaia. Mas ainda assim nem um, nem o outro pode ser considerado santo. São todos imperfeitos.

Engraçado é ver crentes virando o nariz para seguidores de religiões africanas quando conheco cristãos que movido pela ira e vingança vivem a prometer colocar esse e aquele “nas mãos de Deus” para que justiça seja feita. Ora. qual a diferença entre fazer uma macumba para que alguém pegue um câncer e aterrorizar um inocente dizendo que Jesus vai colocar um câncer nele? Cadê o perdão? Cadê a misericórdia?

Engraçado é ver crentes criticando mulcumanos quando alguns de nós somos tão radicais quanto eles, evangelizando através do terrorismo e da teologia que prega mais o inferno do que o céu. E ainda sento tão intolerantes quanto alguns deles. Veja a algazarra que se torna a internet toda vez que o assunto homossexualidade vem à tona… Triste.

Engraçado é ver crentes criticando judeus porque eles não aceitam o Messias, mas não entendem que aceitar Jesus é mais do que levantar a mãozinha no fim do culto. Aceitar a Jesus é morrer! E matar o seu ego, matar o seu eu. Aceitar que você é pecador, que você é errado. Prantear pela sua condição e clamar por perdão e redenção. Todos os dias. Sem exceção. Ou então, você também não aceitou o Messias.

Engraçado é ver crentes brigando com ateus na internet porque eles não creem em Deus, mas nós esquecemos que “a fé sem obras é morta” (Tiago 2). Crer não é dizer que crê. Crer é agir. Arregaçar as mangas e seguir Jesus na prática, sabendo que suas boas atitudes não são suficientes para te levar pro céu, mas são elas que provam que você cre no Jesus que você diz crer.

Tá vendo? Sem a Graça de Deus, não somos diferentes de nenhuma religião. Somos até piores. O que nos salva é a graça. É a mão estendida de Jesus sobre nós. É o perdão que vem APENAS por Jesus,e sem sacrifício nosso, porque não teríamos nada para ofertar a Ele. E entender que esse perdão gratuito que chegou a nós também pode chegar a qualquer um, independente de qualquer coisa. E que sem esse perdão, não somos melhores que ninguém. Então, se por algum acaso somos melhores, somos em Cristo e não em nós mesmos, e por isso não temos que tratar os demais como inferiores, e sim abraça-los e ama-los, ainda que de longe, em algumas situações. Orar por todos, viver e pregar o Evangelho da maneira que ele é: escandaloso, mas temperado; pesado em sua intensidade, mas leve em suas cobranças; intolerante ao pecado, mas tolerante com o pecador arrependido. O Evangelho que nos mostra que somos todos pecadores, somos todos errados, e que todos podemos ser salvos em Cristo, se crermos apenas Nele.

Vamos abrir nossas bíblias. Não sejamos como os israelitas eram com os samaritanos. E que não sejamos como o sacerdote da “parábola do bom samaritano”. Que sejamos como o samaritano que se condoeu com aquele pobre necessitado e agiu. Que sejamos como aquele publicano que batia no peito e clamava a Jesus porque era um pecador. Que sejamos humildes como aquela criança que Jesus colocou no colo. Que sejamos verdadeiros humanos e verdadeiros cristãos.

Que Deus nos ajude e abençoe.

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