Quem aqui já observou o Salmo 103?

Segue abaixo um pequeno, mas valioso trecho:

“Misericordioso e piedoso é o Senhor; longânimo e grande em benignidade.
Não reprovará perpetuamente, nem para sempre reterá a sua ira.
Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniqüidades.
Pois assim como o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem.
Assim como está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.
Assim como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem.
Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó.” – Salmos 103:8-14

Em palavras resumidas, a mensagem desse texto é: “O Senhor é misericordioso, e ao invés de nos tratar segundo os nossos erros, Ele prefere o caminho da misericórdia, do perdão. Tudo isso porque Ele é um Pai que reconhece a fraqueza dos seus filhos, e sabem que eles são como pó.”

De fato, a misericórdia só pode estar disponível para aquele que reconhece que precisa de misericórdia. O braço só pode ser estendido àquele que reconhece que caiu. E a ajuda só estará disponível para aqueles que reconhecem que precisam de ajuda. Uma vez, Jesus disse que “não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes” (Mateus 9:12), e se você parar pra pensar, só procuram (e recebem) a cura aqueles que reconhecem que estão doentes.

A questão é: Deus reconhece que somos pó. Mas, e nós? Reconhecemos isso? Reconhecemos que somos pó, que somos doentes, que somos pecadores, fracos, volúveis, inertes? Você consegue reconhecer isso em você mesmo? Pois disso depende o perdão e o auxilio de Deus em nossas vidas, pois como Ele nos curará se nem aceitamos que estamos “doentes”?

Outra questão: você reconhece sua fraqueza, mas você quer mesmo sair dela? Você tem mesmo a consciência de que precisa renunciar suas próprias vontades, planos e sabedoria? Você está mesmo disposto a “perder para ganhar” (Mateus 16:25)? Ou você ainda está barganhando com Cristo, negociando para ver o que você pode evitar perder neste mundo sem perder a Graça? Você sabe que com Jesus não existe esse tipo de negociação. É “perder pra ganhar sim”! É “nascer de novo” sim (João 3)! É “largar tudo o que você tem e segui-lo (Mateus 19:21)” sim! Não tem negociações! Não existe barganhas!

E mais uma questão: se reconhecemos que somos pó, e se usamos isso como argumento para alcançar a misericórdia de Deus, então por que não conseguimos entender que o nosso irmão é tão pó quanto nós? Por que colocamos nossos semelhantes no “banco dos réus” todos os dias? Se queremos o “perdão fornecido pela Graça” para nós, então porque exigimos o rigor da lei para aquele que chamamos de irmão, de semelhante? Até quando usaremos dois pesos e duas medidas? Jesus foi bem claro ao dizer que “com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.” (Mateus 7:2); e ao afirmar que “se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas” (Mateus 6:14-15).

Bem, se pararmos pra pensar, as coisas são bem mais simples do que imaginamos: reconheça que você é pó; renuncie a tudo, sem ressalvas, e siga a Jesus de todo o seu coração e reconheça que aquele que está do teu lado na tua casa, no teu trabalho, na vizinhança ou na igreja é tão pó e tão necessitado de misericórdia quanto você.

Eu sei, falar e escrever é mais fácil do que praticar. Mas, se estamos dispostos a praticar isso de verdade, então já poderemos começar “largando” nosso orgulho, nossa “capa de super-herói”, nossa fama de perfeito, e já podemos começar a seguir Jesus. Não se preocupe sobre como será a sua vida de “pecador confesso”. Jesus não vai te julgar, ele reconhece que você é apenas pó. Mas para isso é necessário que você ofereça essa mesma gentileza ao seu semelhante.

E aí? Vamos tentar?

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