Cordeirinhos

Não sei vocês, mas eu admiro as crianças.

Como elas são simples! Descomplicadas! Fáceis de se relacionar…

Hoje eu estava lembrando da minha própria infância. Deveria ter 7 ou 8 anos, quando passei uma temporada na casa da minha avó.

Umas das experiências das quais me lembro era as minhas saídas com o meu tio Emílio: ele era pintor de paredes e fachadas e circulava o bairro todo trabalhando. E quando estava por lá, amava ir com ele.

Lembro que em um desses dias, em uma determinada rua onde meu tio estava trabalhando, havia um grupo de crianças jogando bola. Óbvio que eu – garoto de 7 anos – não resisti: minutos depois eu já estava lá chutando bola com um monte de crianças que eu nunca tinha visto na vida! Não rolou nenhum tipo de impedimentos, preconceitos, receios… Parecia que nos conhecíamos desde sempre.

Em outro episódio, também durante um período de férias na casa da minha avó, ganhei uma bicicleta de aniversário. Bem velha, na verdade, ela comprou em um ferro-velho e depois demos umas mãos de tinta. (Até que ficou bonitinha, rsrs). Todos os dias eu ficava dando voltas no quarteirão com a minha humilde bicicleta até o anoitecer, me sentindo a pessoa mais feliz do mundo! Poucos dias depois, conheci o Daniel, um garoto da minha idade que também costumava passear de bicicleta no quarteirão. Tudo o que eu lembro é que ele tinha belíssima bicicleta, do último modelo lançado na época, a que aparecia nos comerciais da tv e nos enchia os olhos. Enfim, o que importa é que brincávamos todos os dias, durante o dia todo com nossas bicicletas. Não havia diferenças. Eu não me sentia humilhado por estar com uma bicicleta de ferro-velho, e o Daniel não se sentia superior a mim por ter uma super e caríssima bicicleta. Durante todo aquele mês de férias, brincamos e nos divertimos demais.

(Uau, bateu saudades daqueles tempos, e do Daniel também. Nunca mais o vi. Em tempos que não havia SMS, Facebook e Whatsapp, era muito mais difícil manter esse tipo de amizades, rsrs.)

Bem, o que estava pensando enquanto lembrava desses episódios é: como as crianças são simples, não? Elas são tão fáceis de se relacionar. Tratam outras crianças que não conhecem como se fosse seus próprios irmãos. Não olham para condição social, cor, raça, religião…

Diferente de nós, adultos. Somo cheios de ressalvas, receios, preconceitos. Não puxamos conversa com ninguém, seja no metrô ou na fila do banco, e torcemos para que ninguém puxe conversa conosco. Vivemos trancados nos nossos fones de ouvido e na tela dos nossos smartphones. Temos medo um dos outros. Medo do que? Nem eu mesmo sei dizer, mas temos. Eu sou assim, tenho certeza que você também é. Todos somos assim, uns em maior e outros em menor intensidade.

Também não vivo no mundo dos sonhos: todos temos preocupações e sim, alguns seres “humanos” realmente fazem mal. Não dá para viver esse “conto de fadas” em 2014. Mas o problema é que agimos assim até com quem conhecemos. Quantos aqui não carregam as feridas de problemas que tiveram com amigos, familiares, cônjuges.

Até mesmo na igreja, onde ouvimos todos os dias sobre a importância de cultivar o sentimento de “irmandade”, onde ouvimos sobre amor, fraternidade, caridade, amizade, e onde ouvimos a importância de nos mantermos unidos como membros do corpo de Cristo: com quantos não nos relacionamos? E quantos ali também são de “difícil relacionamento”? Quantos casos de fofocas, até mesmo de calúnias?

Ai, gente, como tudo era mais fácil quando éramos crianças. Como é bom ser simples! Isso é lindo! Tenho saudades desses tempos. Como auxiliar de jovens, ainda vejo crianças na igreja se relacionando com essa mesma simplicidade, enquanto adultos se digladiam em busca de uma “razão” inútil.

Não é atoa que Jesus disse uma vez:

 

“Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.
Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.” (Mateus 18:3-4)

Eu sei que é muito difícil, mas de alguma maneira temos que obedecer o Mestre, e temos que voltar a ser “cordeirinhos”, não é verdade? E urgente!

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