Eu sou um pecador.

E não apenas isso. Sou o principal deles.

Era assim que o apóstolo Paulo definia a si mesmo, como uma vez em que ele escreveu a Timóteo:

“Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” (1 Timóteo 1:15)

E em outra ocasião, escrevendo aos Romanos, depois de um texto esclarecedor onde Paulo mostra como o pecado nos faz praticar “o mal que não queremos’ ao invés de praticar “o bem que queremos”, ele olha pra si mesmo e se define com palavras duríssimas:

“Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24-25)

O que eu quero que vocês notem é que a Graça de Jesus não fez com que Paulo olhasse para si mesmo e se achasse melhor que os outros, ou então melhor do que ele era sem a Graça.

Muito pelo contrário.

A Graça trouxe a ele o real conhecimento de quem ele era: um miserável, o principal do pecadores, segundo suas próprias palavras.

Antes de receber a Graça de Jesus, podemos entender que Paulo (Saulo, até então) tinha uma visão bem diferente sobre si. Paulo era judeu, fariseu, da escola de Gamaliel, um dos principais fariseus da época. Se nos lembrarmos das referências que os evangelistas fazem aos fariseus, nos lembraremos como eles observavam até demais a “letra fria da lei”. E assim Paulo era: por achar que os cristãos pertenciam à uma seita que pregava um falso messias, ele perseguiu e prendeu a muitos e até mesmo consentiu com a morte de alguns cristãos.

Mas a Graça transformou a vida de Paulo.

Paulo não caiu apenas do cavalo, como conta o capítulo 9 de Atos. Ele caiu também do “cavalo do orgulho” de achar que era digno de Deus só porque observava cada passo de uma lei. Estar em Cristo fez Paulo entender que mesmo que ele cumprisse toda a lei, isso não o faria digno de Deus, pois o pecado habitava nele. O conhecimento da Graça é que o fez reconhecer como ele era e continuava sendo um “pecador miserável” que só tinha alguma chance graças a Graça e a Misericórdia de Jesus, que nos justificou morrendo em nosso lugar e pagando pelos nossos pecados.

É isso que a Graça tem que produzir em mim e em você. A Graça tem que abrir nossos olhos para que nós possamos reconhecer quão miseráveis e quão pecadores nós somos.

A Bíblia tem que ser o espelho que nos incomoda: quando olhamos para ela, nós temos que enxergar todas as nossas imperfeições. A Bíblia, como disse por aqui nesta manhã, não é o nosso amuleto e nem a nossa bola de cristal. Ela é o nosso espelho. Espelho esse que chega a dar vergonha de olhar e ver como somos imperfeitos, miseráveis, pecadores, fracos e como temos tudo de mal que o pecado poderia produzir em nós.

Porque só assim, só quando temos e sentimos isso é que entendemos o sacrifício de Cristo. E entendemos que jamais podemos viver sem Ele. E que precisamos DEMAIS da sua Graça, do seu perdão, da sua paciência. E entendemos como somos dependentes. E paramos de perder tempo com coisas pequenas e começamos a clamar pela sua misericórdia. E começamos a clamar para que Ele nos regenere, e para que ele nos transforme de novo naquilo que nunca deveríamos ter deixado de ser: imagem de Deus.

Quando vejo crentes que se acham melhores do que os outros, ou até quando eu me pego pensando assim, aí eu vejo o quanto ainda precisamos crescer em entendimento.

Dá-nos sabedoria, Senhor! E nos regenera! Nos transforme de volta naquilo que nunca deveríamos ter deixado de ser: Sua imagem e semelhança! Em nome de Jesus, amém.

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