Cenário 1:

O dia passava e a indefinição seguia. Aquele exercito continuava ali, parado, sem ação. Do general ao recruta: todos pasmos, sem saber o que fazer diante da ameaça.

Nem mesmo todas as patentes dos homens mais poderosos, nem mesmo a força e a habilidade dos soldados mais experientes, e nem mesmo a inconsequência e a sede por desafio dos soldados mais inexperientes eram capazes de gerar em alguém ali a coragem, a loucura de enfrentar aquela situação, que parecia sem solução.

– Abram espaço! Abram espaço! O novo soldado vai passar! – ouviu-se a voz do rei, repentinamente.

Todos abriram espaço, e então passou o rei… e… um menino? Sim, um menino, baixinho, ruivo, raquitico, sem armaduras ou armas, senão uma funda na mão direita.

As reações naquele exercito foram as mais variadas:

– Esse é o “soldado”?

– Ai meu Deus, estamos perdidos!

– Quer saber? Tanto faz! Já estamos mortos mesmos?

– Hey! Aquele é… é o teu irmão, Eliabe!

– Irmão?!? Vc tem um irmão caçula, Eliabe? Nem sabia…

– Sim… Aquele é o meu irmão – disse Eliabe, “torcendo o nariz” – Davi. Ele pastorea as ovelhas lá de casa. Pensei que ele tinha descido aqui só pra ver o sangue… O que eu não imaginava é que o sangue que ele queria ver seria o dele mesmo…

Bem, dali de onde eles estavam ainda deu para ouvir o resto da conversa entre Davi e o gigante:

– … porque do Senhor é a guerra, e ele vos entregará na nossa mão!

Dali a alguns instantes, Davi já estava com a espada do gigante em mãos, separando a cabeça do gigante do seu corpo…


Cenário 2:

jose-egito

– Vem ver! Vem ver quem é o novo governador! Rápido! – gritou o menino, atônito.

E aquele homem saiu às pressas, tropeçando, correndo para não perder a novidade.

– Quem… Quem é? Quem é? – perguntou o homem, ofegante.

–  Para de falar… e … e corre logo! – respondeu o menino, não menos ofegante.

Dois minutos depois, ali estavam os dois, às portas do palácio, esbarrando na aglomeração, tentando enxergar alguma coisa… E aquele homem ficou de queixo caído quando conseguiu ver quem estava lá, no terraço do palácio:

– Mas… é… é…

– Sim! Sim! É ele! eu não disse! Eu não disse que você ia ficar bobo de ver?

– É… É o Jo…

– Eu eu nomeio ele, José, como o mais novo governador do Egito! – Anunciou o faraó, com todas as honras.

– Mas… Era esse menino que estava preso lá na minha carceragem dias atrás – disse o homem – e agora ele… Governador?


Cenário 3:

deserto

– Eu não sou o Cristo.

– Então o quê? Você é Elias?

– Não sou.

– Então você é profeta…

– Não.

– Afinal, quem é você? Precisamos de responder àqueles que nos enviaram. O que você diz de você mesmo?

– Eu sou a voz do que clama no deserto: “Endireitai o caminho do Senhor”, como disse o profeta Isaías.

– Por que você batiza pessoas, se você não é o Cristo, nem Elias e nem profeta?

– Eu batizo com água, mas no meio de vocês existe um que vocês ainda não conhecem. Ele vem depois de mim, mas ele já existia antes de mim. E eu não sou digno de nem mesmo desamarrar o nó da sandália dele.

Realmente, era bem difícil para aqueles fariseus entender quem era aquele homem estranho, que pregava sobre as coisas do céu, mas em nada se parecia com um fariseu: vestido de pele de camelo, com um cinto de couro.

– Ele é o João,  filho do Zacarias, o sacerdote, não? – perguntavam-se entre eles

– Sim, mas vi esse menino pequeno, teve uns tempos sumido, e voltou agora, desse jeito..

– Dizem que ele estava no deserto…

– Dizem que ele só come mel e gafanhoto…

– Isso deve ser muito gostoso, hahaha – ironizou um dos fariseus…

***

Sabe o que eu aprendo com essas três histórias? Que, quando Deus tem um plano na vida de alguém, Ele tem uma estratégia diferente: ele mantem a pessoas meio que escondida. Seja lá no pasto, nos fundos da casa, como foi com Davi, ou no deserto, como foi com João Batista, ou até mesmo dentro de uma cela, como foi com José.

Aí o povo passa, vê essas pessoas ali, largadas, jogadas, e não dão nada por elas. Isso quando alguém percebe a existência dessas pessoas.

É como se Deus tivesse reservando essa pessoa, preparando ela.

E às vezes, a própria pessoa pode achar que a preparação está dura: que o deserto está quente, ou que está esquecida lá no pasto, ou até mesmo sendo injustiçada dentro de uma cela, passando uma prova que nem ela sabe o porquê.

Às vezes, vc não sabe o porquê da prova, ou porque está esquecido, ou porque a sua vida parece ser mais difícil que a de todo mundo. Às vezes é difícil tentar encaixar tudo isso com a promessa que Deus te fez.

Mas, sabe o que eu aprendo com essas histórias acima? Que Deus, na verdade, está me preparando, te preparando para o plano dEle. Na verdade, vc não está de canto e nem esquecido(a), mas sim reservado, fora dos holofotes, em um lugar onde Deus pode preparar todas as coisas para que finalmente um dia Ele possa de fato começar a cumprir as promessas nas nossas vidas.

Aí, de repente, Deus começa a te exaltar. E então um vem correndo ver, o outro fica se perguntando “Quem é esse moço?”, “De onde veio aquela moça?”, “Eu nunca vi ele(a) por aqui…”

Mas eu, vc e Deus sabemos, que há muito tempo estamos sendo provados e preparados para esse dia.

Então, fique em paz. O que passamos não são apenas provas. Parece desprezo, abandono, insucesso… Mas na verdade é Deus te preparando para o dia da tua exaltação.

Eu creio. E vc, crê?

+ na Bíblia:

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